sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O uso do Véu


Pe. John Zuhlsdorf realizando uma pesquisa sobre o uso do Véu, os resultados até agora são bastante favoráveis para reutilização. Lembre-se que hoje, embora seu uso não é proibido, tem caído em desuso. No entanto, em muitos lugares tem sido utilizado novamente, uma tendência que se acentuou nos lugares onde  se celebrar a Missa tradicional Veja e vote aqui: Votação sobre o uso do Véu



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Ele está no meio de nós" de Dom Isnard dará lugar a "E com o teu espírito" dos Apóstolos

Por que "E com o teu espírito" está correto
por Frei Austin J. Milner, OP

Talvez uma das mudanças mais difíceis com a qual as pessoas deverão se confrontar quando a nova tradução do Missal Romano entrar em vigor será aquela do "Ele está no meio de nós" para "E com o teu espírito". As pessoas se acostumaram à primeira. Ela faz sentido [ndt.: And also with you no original, a versão portuguesa não faz sentido algum]. Por que mudá-la?

"E com o teu espírito" é a tradução literal do "Et cum spiritu tuo", que por seu turno é a tradução literal do grego. Esta frase, seja em grego ou em latim, era bastante estranha para o mundo antigo. Ela aparece somente nos escritos cristãos. Ela já se encontra nas saudações finais de algumas Epístolas Paulinas: "A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com vosso espírito, irmãos. Amém" (Gal 6,18; cf. Fl 4,23; Fil 25); "O Senhor esteja com o teu espírito. A graça esteja contigo" (2 Tim 4,22).

Pode ser que aqui São Paulo esteja ecoando uma fórmula litúrgica que já fosse familiar aos destinatários de suas cartas, mas não temos como ter certeza disto. A obra conhecida como "Tradição Apostólica", às vezes atribuída a Hipólito, numa passagem que data do terceiro ou início do quarto século, mostra que o uso litúrgico da passagem está àquela altura bem estabelecido.

Antes da oração de ação de graças sobre o pão e o vinho, o bispo saúda a assembleia com as palavras "O Senhor esteja convosco" e todos respondem "E com o teu espírito". A mesma saudação acompanha o ósculo dado pelo bispo a cada um dos recém-batizados quando ele lhes impõe as mãos e marca suas frontes com o crisma.

Estamos lidando, portanto, com uma saudação litúrgica muito antiga usada apenas pelos cristãos. Nos tempos antigos ela foi traduzida não apenas para o latim mas também para as línguas siríaca, armênia, georgiana, eslavônica e árabe. O Livro de Oração Comum anglicano e muitas liturgias protestantes preservam-na em sua tradução literal. Quando, nos anos60, a Liturgia Romana estava sendo traduzida para as línguas europeias modernas, Itália, França, Espanha e Alemanha mantiveram a tradução literal. Somente os responsáveis pela tradução inglesa decidiram abandonar esta antiga forma cristã de saudação [ndt.: a versão portuguesa sequer é uma tradução; é uma criação de Dom Isnard e cia.]. Eles argumentaram que ela derivou-se de uma forma semítica que era o equivalente a "e contigo também". Estavam certos? A frase significa algo mais? Mas se significa algo mais, o que significa afinal?

Comecemos por perguntar o que São Paulo pretendeu dizer quando usou a frase. Sobre este tema, um trabalho excepcional tem sido realizado por exegetas do Novo Testamento que podem nos ajudar a compreender a fórmula litúrgica.

Antes de mais nada, devemos perguntar se São Paulo está se referindo ao Espírito Santo ou ao espírito humano. E à primeira vista, parece que ele não pode estar se referindo ao Espírito Santo porque ele fala "teu espírito", e o Espírito Santo não pertence a qualquer ser humano ou grupo de seres humanos. Logo, ele deve estar se referindo ao espírito humano. Paulo, às vezes, fala do ser humano como composto de corpo, alma e espírito, mas como os mestres de seu tempo, ele também tende a usar "espírito" e "alma" como termos intercambiáveis. "Espírito" pode significar a pessoa inteira considerada como um ser que pensa e sente. Assim "com o teu espírito" poderia bem simplesmente ser um modo de dizer "contigo". Certamente Paulo aqui não tem a intenção de falar do espírito ou alma humanos como distintos do corpo.

A maioria das Epístolas Paulinas terminam com o desejo de que a graça de Cristo possa estar com aqueles para os quais ele escreveu: "A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo esteja com todos vós" (2 Cor 13,13) ou "A graça do Senhor Jesus esteja convosco" (1Cor 16,23; 1 Tes 5,28; 2 Tes 3,18) ou simplesmente "A Graça esteja convosco" (Col 4,18; 1 Tim 6,21; Tt 3,15; cf. Ef 6,13). Por que, então, nas quatro epístolas supramencionadas, ele expressa o desejo de que a graça de Cristo esteja com o espírito deles? O que ele acrescenta a sua saudação, se é que acrescenta algo?

Parece que São Paulo sempre considera o espírito humano como um espírito dado por Deus. Para o cristão isto é uma novidade, o qual, embora uma parte criada da natureza do cristão, é recebido de Deus, posto no crente por Deus: "Porque vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no medo, mas recebestes o espírito de filiação. Quando clamamos 'Abba! Pai!' é o próprio Espírito que dá testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus" (Rm 8, 15-16; cf. 1 Tes 5,23). Fundamentalmente, para São Paulo há um único Espírito de Deus conferido separadamente aos indivíduos (cf. Rm 1,9; 2 Cor 11,4). Parece então que nos quatro casos em que São Paulo muda o "convosco" de sua saudação final para "com o teu espírito" ele quer fazer duas coisas: quer recordar a seus leitores da especial participação humana no Espírito de Deus que eles receberam, e porque ele fala de "vosso (plural) espírito", ele parece referir-se a algo que existe, ou que tenha sido recebido em comum por toda a igreja à qual ele está escrevendo.

Em vários lugares na Bíblia, entretanto, a palavra "espírito" é usada para aludir aos dons ou efeitos do Espírito Santo como em Isaías 11,2: "E o Espírito do SENHOR repousará sobre ele, o espírito de sabedoria e entendimento, o espírito de conselho e fortaleza, o espírito de conhecimento e do temor do SENHOR ". São Paulo também usa a palavra neste sentido quando ele diz, por exemplo, "porque se eu oro em línguas, meu espírito ora, mas minha mente fica sem fruto" (1 Cor 14,14), onde se faz uma clara distinção entre o espírito de quem ora numa língua estranha e sua mente, ou de novo quando ele diz: "E os espíritos dos profetas devem se submeter aos profetas" (1 Cor 14,32). São Justino Mártir (250 d.C) diz-nos que aqueles que creem em Cristo recebem dons, quando são batizados, cada um conforme for digno. "Um recebe o espírito de entendimento, outro de conselho, outro de fortaleza, outro de cura, outro de profecia, outro de ensino e outro de temor do Senhor" (Diálogo com Trifão, c39 [PG 6, 560]).

Nas orações de ordenação da Tradição Apostólica a Igreja reza para que o bispo receba "o espírito de liderança", para que o presbítero receba "o espírito de graça e de conselho do presbitério para que possa auxiliar e conduzir vosso povo com um coração puro" e para que o diácono receba "o espírito de graça e de zelo".

Este sentido combina bem com a resposta litúrgica "e com o teu espírito". Até o quarto século, a Oração Eucarística, e de fato as demais orações da liturgia, eram composições espontâneas, embora elas seguissem um dos vários modelos tradicionais. Tal composição espontânea estava relacionada ao dom de profecia. Um obra cristã do fim do primeiro século chama Doutrina dos Doze Apóstolos diz que, na Eucaristia, aos profetas se devia permitir que dessem graças o quanto desejassem. Portanto, quando o povo reunido respondia à bênção do presidente, eles oravam para que o Senhor estivesse com o carisma que ele recebera. Por volta do fim do quarto século, esta oração espontânea foi substituída pelo uso de orações escritas. Na Igreja de Antioquia da Síria, pregadores como São João Crisóstomo ou Teodoro de Mopsuéstia diziam que a palavra "espírito" na resposta referia-se ao carisma ou graça do sacerdócio que o bispo ou presbítero haviam recebido.

"Ao dizerem 'e com o teu espírito', eles não se referem a sua alma, mas à graça do Espírito Santo pelo qual seu povo acredita que ele foi chamado ao sacerdócio", diz Teodoro (Homilias Batismais, 15, 37). Na liturgia siríaca do quinto século, a saudação é traduzida "contigo e com o teu espírito". Traduzindo assim este povo semita, que fala uma língua muito próxima daquela falada por nosso Senhor e por seus discípulos, torna-se claro que eles pensavam que ela significa mais que um simples "e contigo também". No fim do século V, encontramos a seguinte explicação em algumas homilias atribuídas a Narsi de Nisibis: "O povo responde ao sacerdote com amor, dizendo: 'Contigo, padre, e com aquele teu espírito sacerdotal'. Eles chamam 'espírito' não a alma do sacerdote, mas o espírito que o sacerdote recebeu pela imposição das mãos. Pela imposição das mãos, o sacerdote recebe o poder do Espírito, de modo que ele é capaz de realizar os divinos mistérios. Aquela graça o povo chama o espírito do sacerdote e eles rezam para que ele [o sacerdote] possa alcançar a paz com ele e ele [o espírito] com o sacerdote". (Homilia de Exposição dos Mistérios 17 A).

No sétimo ou oitavo séculos, outro escritor siríaco, Abraham bar Lipheh, comentando sobre a saudação de paz do bispo, dá a mesma interpretação: "E em seguida o povo responde ao sacerdote: 'a ti também esteja a paz com o espírito do sacerdócio que tu recebeste'" (Interpretação dos Ofícios).

Alguns hoje objetam que tal interpretação da resposta põe muita ênfase no sacerdócio do que preside em detrimento do sacerdócio de toda a assembleia. Mas esta certamente não era a intenção de Teodoro de Mopsuéstia ou de São João Crisóstomo.

O primeiro diz na homilia já citada: "É neste sentido que a frase 'E com o teu espírito' é dirigida ao sacerdote pela congregação segundo às determinações encontradas na Igreja desde o princípio. A razão para que seja assim é que, quando a conduta do sacerdote é digna, é um ganho para o inteiro corpo da Igreja, e quando a conduta do sacerdote é indigna, é uma perda para todos. Todos eles rezam para que a graça do Espírito Santo possa lhe ser concedida em paz, a fim de que ele se esforce para realizar seu serviço a todos devidamente".

E São João Crisóstomo na homilia sobre Pentecostes diz: "Se não fosse o Espírito Santo não haveria pastores ou mestres na Igreja, porque tais coisas também vem através do Espírito. Como diz São Paulo: 'no qual [rebanho], o Espírito Santo vos constituiu pastores e bispos' (At 20,28). Não vedes que isto também acontece por meio do Espírito? Porque se o Espírito Santo não estivesse no pai comum e mestre tão logo ele entra no santuário e vos dá a todos a paz, vós todos não lhe teríeis respondido: 'e com o teu espírito'. Por esta razão, não apenas quando ele ingressa no santuário e quando ele vos saúda e reza por vós, vós lhe dais esta resposta, mas quando ele se aproxima da mesa sagrada e quando começa a oferecer o tremendo sacrifício - os inciados entenderão o que eu digo - ele não toca as oblatas antes de implorar-vos a graça do Senhor e vós bradais em resposta a ele: 'e com o teu espírito'. Com esta resposta vós sois recordados de que aquele que está ali não faz nada, e que o direito de oferecer os dons não é uma obra da natureza humana, mas que o sacrifício místico é realizado pela graça do Espírito Santo e paira sobre todos. Porque aquele que ali está é um homem, é Deus quem opera através dele. Não vos fixeis na natureza daquele que vedes, mas compreendei a graça que é 9invisível. Nada do que é humano tem lugar neste santuário sagrado. Se o Espírito não estivesse presente, não haveria uma Igreja assistindo, mas se a Igreja permanece ali, é claro que o Espírito está presente" (PG 50, 458-459).

A interpretação siríaca do "E com o teu espírito" não é de forma alguma a única encontrada nos vários comentaristas sobre a liturgia, orientais e ocidentais. Mas o fato de que, desde o fim do quarto século, esta resposta era usada somente àqueles em ordens maiores [ndt.: sacerdotes] confirma que era uma compreensão muito disseminada.

Para concluir, quando voltamos a dizer "E com o teu espírito" em vez do banal "E contigo também" [ndt.: o que dizer do "Ele está no meio de nós"?], nós deveríamos entender que não estamos nos referindo à alma do sacerdote como distinta de sua existência corporal. Estamos nos referindo ao tremendo mistério de nossa redenção e cura comuns através do Espírito Santo, o qual Jesus ressuscitado enviou a nossos corações. Em particular, estamos nos referindo à especial graça do Espírito pelo qual homens são feitos sacerdotes, rezando para que aquela graça continue a capacitá-los a realizar todas as suas funções em santidade no serviço do povo sacerdotal de Deus, e recordando-nos que, como São João Crisóstomo o coloca, o ministro no altar "não faz nada, e que o direito de oferecer os dons não é uma obra da natureza humana, mas que o sacrifício místico é realizado pela graça do Espírito Santo e paira sobre todos".

Frei Milner morreu em dezembro, poucos meses depois de escrever este artigo. É publicado com a amável permissão da Ordem Dominicana.

NOTA DA CNBB SOBRE ÉTICA E PROGRAMAS DE TV

 
Têm chegado à CNBB diversos pedidos de uma manifestação a respeito do baixo nível moral que se verifica em alguns programas das emissoras de televisão, particularmente naqueles denominados Reality Shows, que têm o lucro como seu principal objetivo.

Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), reunidos em Brasília, de 15 a 17 de fevereiro de 2011, compreendendo a gravidade do problema e em atenção a esses pedidos, acolhendo o clamor de pessoas, famílias e organizações, vimos nos manifestar a respeito.

Destacamos primeiramente o papel desempenhado pela TV em nosso País e os importantes serviços por ela prestados à Sociedade. Nesse sentido, muitos programas têm sido objeto de reconhecimento explícito por parte da Igreja com a concessão do Prêmio Clara de Assis para a Televisão, atribuído anualmente.

Lamentamos, entretanto, que esses serviços, prestados com apurada qualidade técnica e inegável valor cultural e moral, sejam ofuscados por alguns programas, entre os quais os chamados reality shows, que atentam contra a dignidade de pessoa humana, tanto de seus participantes, fascinados por um prêmio em dinheiro ou por fugaz celebridade, quanto do público receptor que é a família brasileira. 

Cônscios de nossa missão e responsabilidade evangelizadoras, exortamos a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a Sociedade.

Dirigimo-nos, antes de tudo, às emissoras de televisão, sugerindo-lhes uma reflexão mais profunda sobre seu papel e seus limites, na vida social, tendo por parâmetro o sentido da concessão que lhes é dada pelo Estado.

Ao Ministério Público pedimos uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva, identificando os evidentes malefícios que ela traz em desrespeito aos princípios basilares da Constituição Federal (Art. 1º, II e III). 

Aos pais, mães e educadores, atentos a sua responsabilidade na formação moral dos filhos e alunos, sugerimos que busquem através do diálogo formar neles o senso crítico indispensável e capaz de protegê-los contra essa exploração abusiva e imoral.

Por fim, dirigimo-nos também aos anunciantes e agentes publicitários, alertando-os sobre o significado da associação de suas marcas a esse processo de degradação dos valores da sociedade. 

Rogamos a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, luz e proteção a todos os profissionais e empresários da comunicação, para que, usando esses maravilhosos meios, possamos juntos construir uma sociedade mais justa e humana.
 
Brasília, 17 de fevereiro de 2011


Dom Geraldo Lyrio Rocha

Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara BarbosaBispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Conferência Internacional sobre Adoração Eucarística em Roma

Entre 20 a 23 de Junho em Roma haverá uma Conferencia Internacional sobre Adoração Eucarística,Nessa Programação está  incluso a Santa Missa de 1962(Missa Tridentina) Entre os presentes até o momento são os cardeais :Antonio Cañizares Llovera, Raymond Burke, Malcom Ranjith, Francis Arinze, Mauro Piacenza,O Bispo Dom Athanasius Schneider e o Mestre de Cerimonias das celebrações papais, Monsenhor Guido Marini,entre outros.

Quando souber mais de alguma novidade postarei,segue abaixo a programação:








Novo "Motu Poprio" sobre a Congregação para o Culto Divino


Será publicado nas próximas semanas um documento de Bento XVI que reorganiza as competências da Congregação para o Culto Divino, confiando-lhe a função de promover uma liturgia mais fiel às intenções originárias do Concílio Vaticano II, com menos espaços para mudanças arbitrárias e a fim de recuperar uma dimensão de maior sacralidade.

O documento, que terá a forma de um motu proprio, é fruto de uma longa gestação - foi revisto pelo Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos e pelos ofícios da Secretaria de Estado - e é motivado principalmente pela transferência de competência sobre causas matrimoniais para a Rota Romana. Trata-se das chamadas causas do "rato mas não consumado", isto é, que dizem respeito ao matrimônio realizado na igreja mas não consumado pela falta de união carnal dos dois esposos. São cerca de quinhentos casos por ano e dizem respeito sobretudo a alguns países asiáticos onde ainda existem os matrimônios combinados com mocinhas em idade muito tenra, mas também a países ocidentais para aqueles casos de impotência psicológica para cumprir o ato conjugal.

Perdendo esta seção, que passará à Rota, a Congregação para o Culto Divino, de fato, não se ocupará mais dos sacramentos e manterá apenas a competência em matéria litúrgica. Segundo algumas autorizadas indiscrições, uma passagem do motu proprio de Bento XVI poderia citar explicitamente aquele "novo movimento litúrgico" do qual falou recentemente o Cardeal Antonio Cañizares Llovera, intervindo durante o consistório de novembro passado.

Ao Giornale, em uma entrevista publicada nas véspera do Natal passado, Cañizares havia dito: "A reforma litúrgica foi realizada com muita pressa. Havia ótimas intenções e o desejo de aplicar o Vaticano II. Mas houve precipitação... A renovação litúrgica foi vista como uma pesquisa de laboratório, fruto da imaginação e da criatividade, a palavra mágica de então". O cardeal, que não era parcial ao falar de "reforma da reforma", havia acrescentado: "O que vejo absolutamente necessário e urgente, segundo o que deseja o Papa, é dar vida a um novo, claro e vigoroso movimento litúrgico em toda a Igreja", para pôr fim a "deformações arbitrárias" e ao processo de "secularização que desafortunadamente atinge até o íntimo da Igreja".

É sabido que Ratzinger tenha desejado introduzir nas liturgias papais gestos significativos e exemplares: a cruz no centro do altar, a comunhão de joelhos, o canto gregoriano, o espaço para o silêncio. Sabe-se quanto considera a beleza na arte sacra e quanto considera importante promover a adoração eucarística. A Congregação para o Culto Divino - que alguns gostariam de rebatizar como da sagrada liturgia ou da divina liturgia - deverá pois ocupar deste novo movimento litúrgico, inclusive com a inauguração de uma nova seção do dicastério dedicada à arte e à música sacra.

Tradução: OBLATVS

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Família e paróquia devem promover vocações, afirma Papa

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - As famílias e as paróquias devem incentivar os jovens que sentem um chamado vocacional, precisamente neste momento em que responder a este chamado pode parecer mais difícil, considera o Papa Bento XVI.

 A Santa Sé deu a conhecer hoje a Mensagem papal para o Dia Mundial das Vocações, que será comemorado em 15 de maio, quarto domingo da Páscoa, com o tema "Propor as vocações na Igreja local". 

Na mensagem, o Papa insiste na responsabilidade das famílias, paróquias e associações na promoção das vocações.

"Especialmente neste tempo, em que a voz do Senhor parece sufocada por ‘outras vozes' e a proposta de O seguir oferecendo a própria vida pode parecer demasiado difícil, cada comunidade cristã, cada fiel, deveria assumir, conscientemente, o compromisso de promover as vocações", afirma. 

Bento XVI insiste na importância de "encorajar e apoiar aqueles que mostram claros sinais de vocação à vida sacerdotal e à consagração religiosa", para que estes "sintam o entusiasmo da comunidade inteira quando dizem o seu ‘sim' a Deus e à Igreja". 

Por isso, pede "que cada Igreja local se torne cada vez mais sensível e atenta à pastoral vocacional, educando a nível familiar, paroquial e associativo".
 É necessário ajudar as crianças e jovens a amadurecerem "uma amizade genuína e afetuosa com o Senhor, cultivada na oração pessoal e litúrgica; para aprenderem a escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus, através de uma familiaridade crescente com as Sagradas Escrituras".

É preciso que compreendam "que entrar na vontade de Deus não aniquila nem destrói a pessoa, mas permite descobrir e seguir a verdade mais profunda de si mesmos", sublinha.

Também é preciso ajudá-los para que vivam "a gratuidade e a fraternidade nas relações com os outros, porque só abrindo-se ao amor de Deus é que se encontra a verdadeira alegria e a plena realização das próprias aspirações". 

Particularmente, o Santo Padre fala aos que estão diretamente envolvidos no discernimento vocacional dos jovens: sacerdotes, famílias, catequistas e animadores.

"Aos sacerdotes recomendo que sejam capazes de dar um testemunho de comunhão com o Bispo e com os outros irmãos no sacerdócio, para garantirem o húmus vital aos novos rebentos de vocações sacerdotais."

Às famílias, pede que "sejam animadas pelo espírito de fé, de caridade e piedade, capazes de ajudar os filhos e as filhas a acolherem, com generosidade, o chamamento ao sacerdócio e à vida consagrada". 

"Os catequistas e os animadores das associações católicas e dos movimentos eclesiais de tal forma procurem cultivar o espírito dos adolescentes a si confiados, que eles possam sentir e seguir de bom grado a vocação divina."
 O Papa se dirige também aos bispos, recordando-lhes a importância de promover "o mais possível as vocações sacerdotais e religiosas, e de modo particular as missionárias".
 "O Senhor precisa da vossa colaboração, para que o seu chamamento possa chegar aos corações de quem Ele escolheu", diz aos bispos, ao mesmo tempo em que recomenda: "Cuidadosamente, escolhei os dinamizadores do Centro Diocesano de Vocações".
 Também lhes recorda "a solicitude da Igreja universal por uma distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo. A vossa disponibilidade face a dioceses com escassez de vocações torna-se uma bênção de Deus para as vossas comunidades e constitui, para os fiéis, o testemunho de um serviço sacerdotal que se abre generosamente às necessidades da Igreja inteira".

"‘Propor as vocações na Igreja local' significa ter a coragem de indicar, através de uma pastoral vocacional atenta e adequada, este caminho exigente do seguimento de Cristo, que, rico de sentido, é capaz de envolver toda a vida", afirma o Papa.

Por último, o Pontífice diz que a capacidade de cultivar as vocações "é sinal característico da vitalidade de uma Igreja local" e convida cada comunidade local a difundir "a disponibilidade para dizer ‘sim' ao Senhor, que não cessa de chamar novos trabalhadores para a sua messe".

Fonte:Zenit

Asperge-me


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Padre Lombardi esclarece uso do iPhone na confissão

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - O aplicativo Confession para iPhone e outras novas tecnologias similares pode ajudar a fazer o exame de consciência preparatório à Confissão, mas nunca poderia substituir o diálogo pessoal entre o penitente e o sacerdote.

Foi o que explicou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, diante das dúvidas manifestadas por alguns jornalistas que cobrem informação vaticana sobre o Imprimatur (declaração que valida uma publicação) concedido ao aplicativo Confession, tal como informou ZENIT (ver http://www.zenit.org/article-27181?l=portuguese).

Após algumas informações que sugeriam que se tratava de Confissão através do iPhone, o padre Lombardi esclareceu que “é essencial compreender bem que o sacramento da Penitência requer necessariamente a relação de diálogo pessoal entre penitente e confessor, assim como a absolvição por parte do confessor presente”.

“Isso não pode ser substituído por nenhum aplicativo informático”. Portanto, “não se pode falar de ‘Confissão pelo iPhone’”, explicou.

Segundo Lombardi, entretanto, em um mundo em que muitas pessoas utilizam suportes informáticos para ler e refletir (e inclusive textos para rezar), não se pode excluir que uma pessoa faça sua reflexão de preparação à Confissão tomando a ajuda de instrumentos digitais. Isso de forma parecida ao que se fazia no passado, “com textos e perguntas escritas em papel, que ajudavam a examinar a consciência”.
Neste caso – prosseguiu – tratar-se-ia de um subsídio pastoral digital que “poderia ser útil”, mas sabendo que “não é um substituto do Sacramento”.

E, além disso, deve ter “uma verdadeira utilidade pastoral” e nunca se tratar de um negócio “alimentado por uma realidade religiosa e espiritual importante como um Sacramento”.
O aplicativo Confession foi desenvolvido pela empresa Little iApps e recebeu há poucos dias o Imprimatur das mãos de Dom Rhodes, bispo de Fort Wayne-Southbend (Estados Unidos).

Segundo explicou a ZENIT Patrick Leinen, programador e cofundador da Little iApps, o aplicativo está pensado para ajudar na preparação à Confissão, oferecendo roteiro de exame de consciência, guia passo a passo do sacramento, ato de contrição e outras orações.

Fonte:Zenit

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Como Celebrar a Missa Tridentina,segue abaixo algumas explicações em espanhol


Cardeal Hoyos Fazendo uma Breve Explicação Sobre o Rito Tridentino


Entrevista no Programa "Quem Ama Cuida" da NovaTV,Sobre a Missa Tridentina


 












Pe. Paulo Ricardo: Exercer a Racionalidade com a Fé


ESCOLAS DE FÉ E CATEQUESE MATER ECCLESIAE

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Contamos com sua presença!

7º Mutirão Brasileiro de Comunicação

 É com muita alegria que receberemos, de 17 a 22 de julho de 2011, o 7º Mutirão Brasileiro de Comunicação. As experiências desses eventos em nosso país demonstraram a importância dos mesmos, tanto para a missão evangelizadora da Igreja como para ajudar as pessoas no aprofundamento sobre comunicação enquanto processo, e também na utilização dos meios.
Os mutirões nasceram dentro do Setor Comunicação da CNBB, que continua a levar adiante, em parceria com as Dioceses, essa oportunidade de encontro e construção comum de um evento que quer animar a comunicação em nosso país.
Com o tema da Diversidade e Vida (unidos à Campanha da Fraternidade de 2011) e recordando a diversidade e mobilidades tão próprias da comunicação, hoje, será uma ótima oportunidade para respondermos aos desafios hodiernos através das conferências, seminários, grupos de estudos, oficinas, atividades culturais.
Para quem acompanhou como eu todos os mutirões até hoje realizados, desejo de coração que esta oportunidade que se abre, além de acolher os que virão dos outros estados, seja uma oportunidade de animação e consolidação do trabalho de comunicação em nosso Regional Leste 1, que acolhe conosco esse evento.
A diversidade da cidade do Rio de Janeiro, com tudo o que ela oferece, será o emolduramento desse importante evento da Igreja no Brasil, para o qual convidamos e acolhemos a todos com muito carinho e abertura, como marcam os braços abertos do Cristo Redentor do alto do Corcovado.
Programem-se para esse grande momento, e sejam bem-vindos!
Dom Orani João Tempesta. O. Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro
 
 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mundo de hoje também sente necessidade de Deus






ROMA, segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Embora o mundo de hoje dê as costas para Deus, ainda continua ansiando por Ele e, com essa convicção, os sucessores dos bispos devem continuam lançando a "rede" do Evangelho, afirmou o Papa no último sábado, durante a ordenação de cinco novos bispos na Basílica de São Pedro.

Os novos prelados são: Dom Sávio Hon Tai-Fai, chinês, secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos; Dom Marcello Bartolucci, italiano, secretário da Congregação para as Causas dos Santos; Dom Celso Morga, espanhol, secretário da Congregação para o Clero; Dom Antonio Guido Filipazzi, italiano, e Dom Edgar Peña, venezuelano, ambos núncios apostólicos.

O Papa recordou aos novos bispos sua missão de "pescadores de homens" e de "trabalhadores na messe de Deus", sem deixar-se intimidar pelas dificuldades.

Ainda que possa parecer que "grandes partes do mundo moderno viram as costas para Deus e consideram a fé como uma coisa do passado - disse ele -, ainda existe o desejo de que, no final, seja restabelecida a justiça, o amor, a paz, que a pobreza e o sofrimento sejam superados".
"Todo este anseio está presente no mundo de hoje, o anseio pelo que é grande, pelo que é bom. É a nostalgia do Redentor, do próprio Deus, mesmo nos lugares em que Ele é negado", sublinhou. 

Portanto, precisamente neste momento, "o trabalho no campo de Deus é especialmente urgente", afirmou, constatando que "sentimos de maneira particularmente dolorosa a verdade das palavras de Jesus: os trabalhadores são poucos". 

Quatro fundamentos
O Papa disse aos cinco ordenados que sua primeira missão é "entrar no campo da história humana", sem desanimar-se, lembrando dos "quatro fundamentos" que regem a comunidade cristã desde o começo.
O primeiro, afirmou, é a perseverança em uma fé que "não é uma espiritualidade indeterminada", porque o bispo "não deve ser uma vara de pântano, que se dobra com o soprar do vento, um servo do espírito do tempo". 

Pelo contrário, disse ele, "o ser intrépido, a coragem de resistir às correntes do momento pertence de modo essencial ao dever do Pastor".
O segundo fundamento, explicou Bento XVI, é a comunhão na Igreja, a "corrente" de testemunhas que remonta às testemunhas oculares que puderam "tocar" Jesus.

"É a este fim que o ministério dos bispos serve: que essa corrente de comunhão não seja interrompida. Esta é a essência da sucessão apostólica: conservar a comunhão com aqueles que encontraram o Senhor de maneira visível e tangível e, assim, ter o céu aberto, a presença de Deus entre nós."

O terceiro fundamento é a Eucaristia, que "é o centro da Igreja", da vida de cada cristão e de cada sacerdote. O Papa exortou os cinco novos bispos a celebrá-la "com uma dedicação, um fervor cada vez mais profundos", tentando viver cada dia "segundo a sua medida", deixando-se "modelar por ela".

O quarto e último fundamento, recordou o Papa, é a oração. Esta, "por um lado, deve ser muito pessoal, uma profunda união com Deus. Deve ser a minha luta com Ele, minha busca d'Ele, meu agradecimento a Ele e minha alegria n'Ele".

Por outro lado, contudo, "deve sempre alimentar-se com a comunhão dos orantes, com a unidade do Corpo de Cristo, para plasmar-se verdadeiramente a partir do amor de Deus", concluiu o Papa. 

Fonte:Zenit

Introdução ao Espírito da Liturgia




Introdução ao Espírito da Liturgia” é um fenômeno editorial na Europa desde 1999. De autoria do então cardeal Joseph Ratzinger – hoje Papa Bento XVI -, seu título traz à memória a famosa obra de Romano Guardini (“Sobre o Espírito da Liturgia”), que, nas primeiras décadas de 1900, iniciava o movimento litúrgico.

Com este livro, o cardeal Ratzinger quer ajudar os fiéis a olhar para a fonte escondida da vida eclesial. Aí desenrola-se a ação litúrgica que, nos sacramentos, e em particular na Eucaristia, permite tomar parte na ação salvífica de Cristo. No estilo próprio do autor, abre ao leitor rasgos de contemplação, mas sem deixar de apresentar aspectos polêmicos, propostos com a habitual franqueza do Cardeal Ratzinger.

Pelo estilo linear e a profundidade do pensamento, apresentando-se como uma das obras mais interessantes de toda a produção religiosa da última década, “Introdução ao Espírito da Liturgia” é leitura obrigatória a todos aqueles que desejam compreender melhor a fé e, assim, bem viver a Liturgia no seu exterior e interior.

Fiquemos com o prefácio da obra:
“Após o começo dos meus estudos de Teologia, uma das minhas primeiras leituras, no início do ano 1946, foi o pequeno livro de Romano Guardini – o seu primeiro – intitulado Sobre o Espírito da Liturgia. Editado pela Abt Herwegen, na Páscoa de 1918, como o primeiro manuscrito da série Ecclesia Orans, foi sendo reeditado até 1957 devido à procura incessante. Este pequeno manuscrito pode, com todo o direito, ser designado como o início do movimento litúrgico na Alemanha. Este livro contribuiu substancialmente para a redescoberta da Liturgia como centro inspirador da Igreja e da vida cristã na sua beleza, riqueza oculta e grandeza que transcende o tempo. Este livro conduziu a um esforço no sentido de uma celebração da Liturgia (palavra favorita de Guardini) mais na sua essência, aprendendo a compreendê-la na sua íntima aspiração e no fundo da sua forma, como a oração da Igreja, originada e conduzida pelo próprio Espírito Santo, em que Cristo, sempre de novo, se torna nosso contemporâneo, entrando na nossa vida.

Queria ousar uma tentativa de comparação que, mesmo não sendo muito exacta como acontece com todas as comparações, fosse suficientemente explícita para ser compreensível. Podia dizer-se que, em 1918, a Liturgia se assemelhava em muito a um fresco que, apesar de intacto, estava coberto por reboco. No missal, segundo o qual o padre celebrava a Liturgia, a sua forma nascida das raízes era de forte presença, para os fiéis, contudo, ela estava oculta sob formas e instruções de oração privadas. Através do movimento litúrgico e, definitivamente, após o Concílio vaticano II, o fresco foi posto a descoberto e, por um instante, ficamos fascinados pela sua beleza, pelas suas cores e formas. Porém, entretanto, na sequência de reconstruções e restaurações falhadas e devido a vagas de multidões afluentes, o fresco encontra-se em grande perigo, ameaçado de ser destruído se rapidamente não se diligenciar o necessário para pôr termo a essas influências nocivas. Obviamente, não se pode voltar a cobri-lo; recomenda-se, porém, um novo respeito ao lidar com ele, uma nova compreensão do seu testemunho e da sua realidade, para que a nova descoberta não se torne o primeiro degrau da definitiva perda.

A intenção deste meu pequeno livro, aqui apresentado ao público, é ser um auxílio para esta nova compreensão. Nas suas intenções substanciais, o livro é idêntico ao pequeno manuscrito de Guardini; é por isso que, propositadamente, escolhi um título que faz de imediato lembrar este clássico da Teologia litúrgica. Porém, o que Guardini expôs no fim da Primeira Guerra Mundial, num contexto histórico totalmente diferente, teve agora de ser transposto para a realidade das nossas interrogações, esperanças e perigos actuais. Tal como Guardini, não me detenho em discussões científicas ou investigações; antes quero ajudar a fazer compreender a fé e a contribuir para uma execução correcta da sua essencial forma de expressão dentro da Liturgi. Caso este livro consiga ser um novo estímulo para um <> diferente, um movimento para a execução correcta da Liturgia no seu exterior e interior, então seria cumprida satisfatoriamente a intenção que me urgiu a escrever este trabalho.

Roma, nas Celebrações de Santo Agostinho 1999

Cardeal Joseph Ratzinger





Inquisição: a história não contada

         Um bom vídeo para entender um pouco mais da Inquisição em seu contexto:


         Sugiro também a leitura de um artigo do saudoso D. Estevão, cujo trecho destaco abaixo:

Procuremos agora formular um juízo sobre a Inquisição Medieval. Não é necessário ao católico justificar tudo que, em nome desta, foi feito. É preciso, porém, que se entendam as intenções e a mentalidade que moveram a autoridade eclesiástica a instituir a Inquisição. Estas intenções, dentro do quadro de pensamento da Idade Média, eram legítimas e, diríamos até, deviam parecer aos medievais inspiradas por santo zelo. Podem-se reduzir a quatro os fatores que influíram decisivamente no surto e no andamento da Inquisição:

1) Os medievais tinham profunda consciência do valor da alma e dos bens espirituais. Tão grande era o amor à fé (esteio da vida espiritual) que se considerava a deturpação da fé pela heresia como um dos maiores crimes que o homem pudesse cometer (notem-se os textos de São Tomás e do Imperador Frederico II atrás citados); essa fé era tão viva e espontânea que dificilmente se admitiria viesse alguém a negar com boas intenções um só dos artigos do Credo.

2) As categorias de justiça na Idade Média eram um tanto diferentes das nossas: Havia muito mais espontaneidade (que às vezes equivalia a rudez) na defesa dos direitos. Pode-se dizer que os medievais, no caso, seguiam mais o rigor da lógica do que a ternura dos sentimentos; o raciocínio abstrato e rígido neles prevalecia por vezes sobre o senso psicológico (nos tempos atuais verifica-se quase o contrário: Muito se apela para a psicologia e o sentimento, pouco se segue a lógica; os homens modernos não acreditam muito em princípios perenes; tendem a tudo julgar segundo critérios relativos e relativistas, critérios de moda e de preferência subjetiva).

3) A intervenção do poder secular exerceu profunda influência no desenvolvimento da inquisição. As autoridades civis anteciparam-se na aplicação da forma física e da pena de morte aos hereges; instigaram a autoridade eclesiástica para que agisse energicamente; provocaram certos abusos motivados pela cobiça de vantagens políticas ou materiais. De resto, o poder espiritual e o temporal na Idade Média estavam, ao menos em tese, tão unidos entre si que lhes parecia normal, recorressem um ao outro em tudo que dissesse respeito ao bem comum. A partir dos inícios do Séc. XIV a lnquisição foi sendo mais explorada pelos monarcas, que dela se serviam para promover seus interesses particulares, subtraindo-a às diretivas do poder eclesiástico, até mesmo encaminhando-a contra este; é o que aparece claramente no Processo Inquisitório dos Templários, movido por Filipe o Belo da França (1.285-1.314) à revelia do Papa Clemente V. (cf. capítulo 25)

4) Não se negará a fraqueza humana de Inquisidores e de oficiais seus colaboradores. Não seria Iícito, porém, dizer que a suprema autoridade da Igreja tenha pactuado com esses fatos de fraqueza; ao contrário, tem-se o testemunho de numerosos protestos enviados pelos Papas e Concílios a tais ou tais oficiais, contra tais leis e tais atitudes inquisitoriais. As declarações oficiais da Igreja concernentes à Inquisição se enquadram bem dentro das categorias da justiça medieval; a injustiça se verificou na execução concreta das leis. Diz-se, de resto, que cada época da história apresenta ao observador um enigma próprio na Antigüidade remota, o que surpreende são os desumanos procedimentos de guerra. No Império Romano, é a mentalidade dos cidadãos, que não conheciam o mundo sem o seu Império (oikouméne — orbe habitado — Imperium) nem concebiam o Império sem a escravatura. Na época contemporânea, é o relativismo ou ceticismo público; é a utilização dos requintes da técnica para “lavar o crânio”, desfazer a personalidade, fomentar o ódio e a paixão. Não seria então possível que os medievais, com boa fé na consciência, tenham recorrido a medidas repressivas do mal que o homem moderno, com razão, julga demasiado violentas? Quanto à Inquisição Romana, instituída no Séc. XVI, era herdeira das leis e da mentalidade da Inquisição Medieval. No tocante à Inquisição Espanhola, sabe-se que agiu mais por influência dos monarcas da Espanha do que sob a responsabilidade da suprema autoridade da Igreja.

 Fonte: http://www.padredemetrio.com.br/