sábado, 14 de maio de 2011


PONTIFÍCIA COMISSÃO ECCLESIA DEI

INSTRUÇÃO
Sobre a aplicação da Carta Apostólica
Motu Proprio 
Summorum Pontificumde S. S. O PAPA BENTO XVI
I.
Introdução
1. A Carta Apostólica Summorum Pontificum Motu Proprio data do Soberano Pontífice Bento XVI, de 7 de julho de 2007, e em vigor a partir de 14 de setembro de 2007, fez mais acessível à Igreja universal a riqueza da Liturgia Romana.
2. Com o sobredito Motu Proprio o Sumo Pontífice Bento XVI promulgou uma lei universal para a Igreja com a intenção de dar uma nova regulamentação acerca do uso da Liturgia Romana em vigor no ano de 1962.
3. Tendo recordado a solicitude dos Sumos Pontífices no cuidado pela Santa Liturgia e na revisão dos livros litúrgicos, o Santo Padre reafirma o princípio tradicional, reconhecido dos tempos imemoráveis, a ser necessariamente conservado para o futuro, e segundo o qual "cada Igreja particular deve concordar com a Igreja universal, não só quanto à fé e aos sinais sacramentais, mas também quanto aos usos recebidos universalmente da ininterrupta tradição apostólica, os quais devem ser observados tanto para evitar os erros quanto para transmitir a integridade da fé, de sorte que a lei de oração da Igreja corresponda à lei da fé." [1]
4. O Santo Padre recorda, ademais, os Pontífices romanos que particularmente se esforçaram nesta tarefa, em especial São Gregório Magno e São Pio V. O Papa salienta que, entre os sagrados livros litúrgicos, o Missale Romanum teve um papel relevante na história e foi objeto de atualização ao longo dos tempos até o beato Papa João XXIII. Sucessivamente, no decorrer da reforma litúrgica posterior ao Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI aprovou em 1970 um novo missal, traduzido posteriormente em diversas línguas, para a Igreja de rito latino. No ano de 2000 oPapa João Paulo II, de feliz memória, promulgou uma terceira edição do mesmo.
5. Diversos fiéis, tendo sido formados no espírito das formas litúrgicas precedentes ao Concílio Vaticano II, expressaram o ardente desejo de conservar a antiga tradição. Por isso o Papa João Paulo II, por meio de um Indulto especial, emanado pela Congregação para o Culto Divino,Quattuor abhinc annos, em 1984, concedeu a faculdade de retomar, sob certas condições, o uso do Missal Romano promulgado pelo beato Papa João XXIII. Além disso, o Papa João Paulo II, com o Motu Próprio Ecclesia Dei de 1988, exortou os bispos a que fossem generosos ao conceder a dita faculdade a favor de todos os fiéis que o pedissem. Na mesma linha se põe o PapaBento XVI com o Motu Próprio Summorum Pontificum, no qual são indicados alguns critérios essenciais para o Usus Antiquior do Rito Romano, que oportunamente aqui se recordam.
6. Os textos do Missal Romano do Papa Paulo VI e daquele que remonta à última edição do Papa João XXIII são duas formas da Liturgia Romana, definidas respectivamente ordinária eextraordinária: trata-se aqui de dois usos do único Rito Romano, que se põem um ao lado do outro. Ambas as formas são expressões da mesma lex orandi da Igreja. Pelo seu uso venerável e antigo a forma extraordinária deve ser conservada em devida honra.
7. O Motu Proprio Summorum Pontificum é acompanhado de uma Carta do Santo Padre, com a mesma data do Motu Próprio (7 de julho de 2007). Nela se dão ulteriores elucidações acerca da oportunidade e da necessidade do supracitado documento; faltando uma legislação que regulasse o uso da Liturgia romana de 1962 era necessária uma nova e abrangente regulamentação. Esta regulamentação se fazia mister especialmente porque no momento da introdução do novo missal não parecia necessário emanar disposições que regulassem o uso da Liturgia vigente em 1962. Por causa do aumento de quanto solicitam o uso da forma extraordinária fez-se necessário dar algumas normas a respeito. Entre outras coisas o Papa Bento XVI afirma: "Não existe qualquer contradição entre uma edição e outra do Missale Romanum. Na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial." [2]
8. O Motu Proprio Summorum Pontificum constitui uma expressão privilegiada do Magistério do Romano Pontífice e do seu próprio múnus de regulamentar e ordenar a Liturgia da Igreja[3] e manifesta a sua preocupação de Vigário de Cristo e Pastor da Igreja universal[4]. O Motu Proprio se propõe como objetivo:
a) oferecer a todos os fiéis a Liturgia Romana segundo o Usus Antiquior, considerada como um tesouro precioso a ser conservado;
b) garantir e assegurar realmente a quantos o pedem o uso da forma extraordinária, supondo que o uso da Liturgia Romana vigente em 1962 é uma faculdade concedida para o bem dos fiéis e que por conseguinte deve ser interpretada em sentido favorável aos fiéis, que são os seus principais destinatários;
c) favorecer a reconciliação ao interno da Igreja.


II.
Tarefas da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei
9. O Sumo Pontífice conferiu à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei poder ordinário vicário para a matéria de sua competência, de modo particular no que tocante à exata obediência e à vigilância na aplicação das disposições do Motu Proprio Summorum Pontificum (cf. art. 12).
10. § 1. A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei exerce tal poder tanto por meio das faculdades a ela anteriormente conferidas pelo Papa João Paulo II e confirmadas pelo Papa Bento XVI (cf. Motu Proprio Summorum Pontificum, art. 11-12) quanto por meio do poder de decidir sobre os recursos administrativos a ela legitimamente remetidos, na qualidade de Superior hierárquico, mesmo contra uma eventual medida administrativa singular do Ordinário que pareça contrário ao Motu Proprio.
§ 2. Os decretos com os quais a Pontifícia Comissão julga os recursos são passíveis de apelaçãoad normam iuris junto do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica.
11. Compete à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, depois de aprovação da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, a tarefa de preparar a eventual edição dos textos litúrgicos concernentes à forma extraordinária.


III.
Normas específicas
12. A Pontifícia Comissão, por força da autoridade que lhe foi atribuída e das faculdades de que goza, dispõe, depois da consulta feita aos Bispos do mundo inteiro, com o ânimo de garantir a correta interpretação e a reta aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum, emite a presente Instrução, de acordo com o cânone 34 do Código de Direito Canônico.
A competência dos Bispos diocesanos
13. Os bispos diocesanos, segundo o Código de Direito Canônico[5], devem vigiar em matéria litúrgica a fim de garantir o bem comum e para que tudo se faça dignamente, em paz e serenidade na própria Diocese, sempre de acordo com a mens do Romano Pontífice, claramente expressa no Motu Proprio Summorum Pontificum.[6] No caso de controvérsia ou de dúvida fundada acerca da celebração na forma extraordinária julgará a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.
14. É tarefa do Ordinário tomar as medidas necessárias para garantir o respeito da forma extraordinária do Rito Romano, de acordo com o Motu Proprio Summorum Pontificum.
O coetus fidelium (cf. Motu Proprio Summorum Pontificumart. 5 §1).
15. Um coetus fidelium será considerado stabiliter exsistens, de acordo com o art. 5 §1 do supracitado Motu Proprio, quando for constituído por algumas pessoas de uma determinada paróquia unidas por causa da veneração pela Liturgia em seu Usus Antiquior, seja antes, seja depois da publicação do Motu Proprio, as quais pedem que a mesma seja celebrada na própria igreja paroquial, num oratório ou capela; dito coetus pode ser também constituído por pessoas que vêm de diferentes paróquias ou dioceses e que convergem em uma igreja paroquial ou oratório ou capela destinados a tal fim.
16. No caso em que um sacerdote se apresente ocasionalmente com algumas pessoas em uma igreja paroquial ou oratório e queira celebrar na forma extraordinária, como previsto pelos artigos 2 e 4 do Motu Proprio Summorum Pontificum, o pároco ou o reitor de uma igreja, ou o sacerdote responsável por uma igreja, o admita a tal celebração, levando todavia em conta as exigências da programação dos horários das celebrações litúrgicas da igreja em questão.
17. §1. A fim de decidir nos casos particulares, o pároco, ou o reitor ou o sacerdote responsável por uma igreja, lançará mão da sua prudência, deixando-se guiar pelo zelo pastoral e por um espírito de generosa hospitalidade.
§2. No caso de grupos menos numerosos, far-se-á apelo ao Ordinário do lugar para determinar uma igreja à qual os fiéis possam concorrer para assistir a tais celebrações, de tal modo que se assegure uma mais fácil participação dos mesmos e uma celebração mais digna da Santa Missa.
18. Também nos santuários e lugares de peregrinação deve-se oferecer a possibilidade de celebração na forma extraordinária aos grupos de peregrinos que o pedirem (cf. Motu ProprioSummorum Pontificum, art. 5 § 3), se houver um sacerdote idôneo.
19. Os fiéis que pedem a celebração da forma extraordinária não devem apoiar nem pertencer a grupos que se manifestam contrários à validade ou à legitimidade da Santa Missa ou dos Sacramentos celebrados na forma ordinária, nem ser contrários ao Romano Pontífice como Pastor Supremo da Igreja universal.
O sacerdote idôneo (cf. Motu Proprio Summorum Pontificum , art. 5 § 4)
20. No tocante à questão dos requisitos necessários para que um sacerdote seja considerado "idôneo" para celebrar na forma extraordinária, enuncia-se quanto segue:
a) O sacerdote que não for impedido segundo o Direito Canônico[7], deve ser considerado idôneo para a celebração da Santa Missa na forma extraordinária;
b) No que se refere à língua latina, é necessário um conhecimento de base, que permita pronunciar as palavras de modo correto e de entender o seu significado;
c) Em referimento ao conhecimento e execução do Rito, se presumem idôneos os sacerdotes que se apresentam espontaneamente a celebrar na forma extraordinária, e que já o fizeram no passado
21. Aos Ordinários se pede que ofereçam ao clero a possibilidade de obter uma preparação adequada às celebrações na forma extraordinária, o que também vale para os Seminários, onde se deve prover à formação conveniente dos futuros sacerdotes com o estudo do latim [8] e oferecer, se as exigências pastorais o sugerirem, a oportunidade de aprender a forma extraordinária do Rito.
22. Nas dioceses onde não houver sacerdotes idôneos, os bispos diocesanos podem pedir a colaboração dos sacerdotes dos Institutos erigidos pela Comissão Ecclesia Dei ou dos sacerdotes que conhecem a forma extraordinária do Rito, seja em vista da celebração, seja com vistas ao seu eventual ensino.
23. A faculdade para celebrar a Missa sine populo (ou só com a participação de um ajudante) naforma extraordinária do rito Romano foi dada pelo Motu Proprio a todo sacerdote, seja secular, seja religioso (cf. Motu Proprio Summorum Pontificum, art.2). Assim sendo, em tais celebrações, os sacerdotes, segundo o Motu Proprio Summorum Pontificum, não precisam de nenhuma permissão especial dos próprios Ordinários ou superiores.
A disciplina litúrgica e eclesiástica
24. Os livros litúrgicos da forma extraordinária devem ser usados como previstos em si mesmos. Todos os que desejam celebrar segundo a forma extraordinária do Rito Romano devem conhecer as respectivas rubricas e são obrigados a executá-las corretamente nas celebrações.
25. No Missal de 1962 poderão e deverão inserir-se novos santos e alguns dos novos prefácios[9], segundo as diretrizes que ainda hão de ser indicadas.
26. Como prevê o Motu Proprio Summorum Pontificum no art. 6, precisa-se que as leituras da Santa Missa do Missal de 1962 podem ser proclamadas ou somente em língua latina, ou em língua latina seguida da tradução em língua vernácula ou ainda, nas missas recitadas, só em língua vernácula.
27. No que diz respeito às normas disciplinares conexas à celebração, aplica-se a disciplina eclesiástica contida no Código de Direito Canônico de 1983.
28. Outrossim, por força do seu caráter de lei especial, no seu próprio âmbito, o Motu ProprioSummorum Pontificum derroga os textos legislativos inerentes aos sagrados Ritos promulgados a partir de 1962 e incompatíveis com as rubricas dos livros litúrgicos em vigor em 1962.
Crisma e a Sagrada Ordem
29. A concessão de usar a fórmula antiga para o rito da Crisma foi confirmada pelo Motu ProprioSummorum Pontificum (cf. art. 9, §2). Por isso para a forma extraordinária não é necessário lançar mão da fórmula renovada do Rito da Confirmação promulgado por Paulo VI.
30. No que diz respeito a tonsura, ordens menores e subdiaconado, o Motu Proprio Summorum Pontificum não introduz nenhuma mudança na disciplina do Código de Direito Canônico de 1983; por conseguinte, onde se mantém o uso dos livros litúrgicos da forma extraordinária, ou seja, nos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica que dependem da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, o membro professo de votos perpétuos ou aquele incorporado definitivamente numa sociedade clerical de vida apostólica, pela recepção do diaconado incardina-se como clérigo no respectivo instituto ou sociedade de acordo com o cân. 266, § 2 do Código de Direito Canônico.
31. Somente aos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica que dependem da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, e àqueles nos quais se conserva o uso dos livros litúrgicos da forma extraordinária, se permite o uso do Pontifical Romano de 1962 para o conferimento das ordens menores e maiores.
Breviarium Romanum
32. Outorga-se aos clérigos a faculdade de usar o Breviarium Romanum em vigor no ano de 1962, conforme o art. 9, § 3 do Motu Proprio Summorum Pontificum. Deve ser recitado integralmente e em latim.
O Tríduo Pascal
33. O coetus fidelium que adere à tradição litúrgica precedente, no caso de dispor de um sacerdote idôneo, pode também celebrar o Tríduo Sacro na forma extraordinária. Caso não haja uma igreja ou oratório destinados exclusivamente para estas celebrações, o pároco ou o Ordinário, em acordo com o sacerdote idôneo, disponham as modalidades mais favoráveis para o bem das almas, não excluindo a possibilidade de uma repetição das celebrações do Tríduo Sacro na mesma igreja.
Os ritos das Ordens Religiosas
34. Aos membros das Ordens Religiosas se permite o uso dos livros litúrgicos próprios, vigentes em 1962.
Pontificale Romanum e Rituale Romanum
35. Permite-se o uso do Pontificale Romanum e do Rituale Romanum, também como doCaeremoniale Episcoporum, vigentes em 1962, de acordo com o art. 28, levando-se em conta, no entanto, quanto disposto no n. 31 desta Instrução.
O Sumo Pontífice Bento XVI, em Audiência concedida no dia 8 de abril de 2011 ao subscrito Cardeal Presidente da Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei", aprovou a presente Instrução e ordenou que se publicasse.Dado em Roma, na Sede da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, aos 30 de abril de 2011, memória de São Pio V.
William Cardeal Levada
Presidente
Mons. Guido Pozzo
Secretário


Notas
[1] Bento XVI, Carta Apostólica Summorum Pontificum dada como Motu Proprio, I, in AAS 99 (2007) 777; cf.Introdução geral do Missal Romano, terceira ed. 2002, n. 397.
[2] Bento XVICarta aos Bispos que acompanha a Carta Apostólica "Motu Proprio data" Summorum Pontificum sobre o uso da Liturgia romana anterior à reforma de 1970, in AAS 99 (2007) 798.
[3] Cf. C.I.C. can. 838 § 1 e § 2.
[4] Cf. C.I.C. can. 331.
[5] Cf. C.I.C. can. 223 § 2; 838 §1 e § 4
[6] Cf. Bento XVICarta aos Bispos que acompanha a Carta Apostólica "Motu Proprio data" Summorum Pontificum sobre o uso da Liturgia romana anterior à reforma de 1970 , in AAS 99 (2007) 799.
[7] Cf. C.I.C. can. 900, § 2.
[8] Cf. C.I.C. can. 249; cf. Conc. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, n. 36; Decl. Optatam Totius n. 13.
[9] Cf. Bento XVICarta aos Bispos que acompanha a Carta Apostólica "Motu Proprio data" Summorum Pontificum sobre o uso da Liturgia romana anterior à reforma de 1970, in AAS 99 (2007) 797.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Missa Tridentina na Capela de N.S.do Desterro 
em 
Pedra de Guaratiba-RJ
No dia 21 de Maio,ás 19:00 na Capela de Nossa Senhora do Desterro,fundada em 1626,o Reverendíssimo Padre João Jefferson vai celebrar a Santa Missa na Forma Extraordiária do Rito Romano,está Igreja foi restaurada e será a primeira celebração após a reforma.


Para quem não conhece essa Capela,Ela fica localizada na Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro na Rua Barros de Alarcão  e a terceira Igreja mais Antiga da Cidade do Rio.

Desde Já estão todos convidados


Salve Maria

segunda-feira, 2 de maio de 2011



Homilia na Beatificação do Papa João Paulo II


The giant banner bearing John Paul's portrait is unveiled over the facade of St Peter's basilica during the ceremony of beatification for late pope John Paul II on May 1, 2011 at St Peter's square at The Vatican. Pope Benedict XVI declared John Paul II 'blessed' at a mass in Saint Peter's Square in front of more than a million people on Sunday, putting his late predecessor on the path to sainthood.
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Átrio da Basílica Vaticana
Domingo
, 1° de Maio de 2011
Amados irmãos e irmãs,
Passaram já seis anos desde o dia em que nos encontrávamos nesta Praça para celebrar o funeraldo Papa João Paulo II. Então, se a tristeza pela sua perda era profunda, maior ainda se revelava a sensação de que uma graça imensa envolvia Roma e o mundo inteiro: graça esta, que era como que o fruto da vida inteira do meu amado Predecessor, especialmente do seu testemunho no sofrimento. Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele. Por isso, quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia esperado chegou! Chegou depressa, porque assim aprouve ao Senhor:  João Paulo II é Beato!
Desejo dirigir a minha cordial saudação a todos vós que, nesta circunstância feliz, vos reunistes, tão numerosos, aqui em Roma vindos de todos os cantos do mundo: cardeais, patriarcas das Igrejas Católicas Orientais, irmãos no episcopado e no sacerdócio, delegações oficiais, embaixadores e autoridades, pessoas consagradas e fiéis leigos; esta minha saudação estende-se também a quantos estão unidos connosco através do rádio e da televisão.
Estamos no segundo domingo de Páscoa, que o Beato  João Paulo II quis intitular Domingo da Divina Misericórdia. Por isso, se escolheu esta data para a presente celebração, porque o meu Predecessor, por um desígnio providencial, entregou o seu espírito a Deus justamente ao anoitecer da vigília de tal ocorrência. Além disso, hoje tem início o mês de Maio, o mês de Maria; e neste dia celebra-se também a memória de São José operário. Todos estes elementos concorrem para enriquecer a nossa oração; servem-nos de ajuda, a nós que ainda peregrinamos no tempo e no espaço; no Céu, a festa entre os Anjos e os Santos é muito diferente! E todavia Deus é um só, e um só é Cristo Senhor que, como uma ponte, une a terra e o Céu, e neste momento sentimo-lo muito perto, sentimo-nos quase participantes da liturgia celeste.
«Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29). No Evangelho de hoje, Jesus pronuncia esta bem-aventurança: a bem-aventurança da fé. Ela chama de modo particular a nossa atenção, porque estamos reunidos justamente para celebrar uma Beatificação e, mais ainda, porque o Beato hoje proclamado é um Papa, um Sucessor de Pedro, chamado a confirmar os irmãos na fé.  João Paulo II é Beato pela sua forte e generosa fé apostólica. E isto traz imediatamente à memória outra bem-aventurança: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus» (Mt 16, 17). O que é que o Pai celeste revelou a Simão? Que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo. Por esta fé, Simão se torna «Pedro», rocha sobre a qual Jesus pode edificar a sua Igreja. A bem-aventurança eterna de  João Paulo II, que a Igreja tem a alegria de proclamar hoje, está inteiramente contida nestas palavras de Cristo: «Feliz de ti, Simão» e «felizes os que acreditam sem terem visto». É a bem-aventurança da fé, cujo dom também  João Paulo II recebeu de Deus Pai para a edificação da Igreja de Cristo.
Entretanto perpassa pelo nosso pensamento mais uma bem-aventurança que, no Evangelho, precede todas as outras. É a bem-aventurança da Virgem Maria, a Mãe do Redentor. A Ela, que acabava de conceber Jesus no seu ventre, diz Santa Isabel: «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). A bem-aventurança da fé tem o seu modelo em Maria, pelo que a todos nos enche de alegria o facto de a beatificação de João Paulo II ter lugar no primeiro dia deste mês mariano, sob o olhar materno d’Aquela que, com a sua fé, sustentou a fé dos Apóstolos e não cessa de sustentar a fé dos seus sucessores, especialmente de quantos são chamados a sentar-se na cátedra de Pedro. Nas narrações da ressurreição de Cristo, Maria não aparece, mas a sua presença pressente-se em toda a parte: é a Mãe, a quem Jesus confiou cada um dos discípulos e toda a comunidade. De forma particular, notamos que a presença real e materna de Maria aparece assinalada por São João e São Lucas nos contextos que precedem tanto o Evangelho como a primeira Leitura de hoje: na narração da morte de Jesus, onde Maria aparece aos pés da Cruz (Jo 19, 25); e, no começo dos Actos dos Apóstolos, que a apresentam no meio dos discípulos reunidos em oração no Cenáculo (Act 1, 14).
Também a segunda Leitura de hoje nos fala da fé, e é justamente São Pedro que escreve, cheio de entusiasmo espiritual, indicando aos recém-baptizados as razões da sua esperança e da sua alegria. Apraz-me observar que nesta passagem, situada na parte inicial da sua Primeira Carta, Pedro exprime-se não no modo exortativo, mas indicativo. De facto, escreve: «Isto vos enche de alegria»; e acrescenta: «Vós amais Jesus Cristo sem O terdes conhecido, e, como n’Ele acreditais sem O verdes ainda, estais cheios de alegria indescritível e plena de glória, por irdes alcançar o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas» (1 Ped 1, 6.8-9). Está tudo no indicativo, porque existe uma nova realidade, gerada pela ressurreição de Cristo, uma realidade que nos é acessível pela fé. «Esta é uma obra admirável – diz o Salmo (118, 23) – que o Senhor realizou aos nossos olhos», os olhos da fé.
Queridos irmãos e irmãs, hoje diante dos nossos olhos brilha, na plena luz de Cristo ressuscitado, a amada e venerada figura de  João Paulo II. Hoje, o seu nome junta-se à série dos Santos e Beatos que ele mesmo proclamou durante os seus quase 27 anos de pontificado, lembrando com vigor a vocação universal à medida alta da vida cristã, à santidade, como afirma a Constituição conciliarLumem gentium sobre a Igreja. Os membros do Povo de Deus – bispos, sacerdotes, diáconos, fiéis leigos, religiosos e religiosas – todos nós estamos a caminho da Pátria celeste, tendo-nos precedido a Virgem Maria, associada de modo singular e perfeito ao mistério de Cristo e da Igreja. Karol Wojtyła, primeiro como Bispo Auxiliar e depois como Arcebispo de Cracóvia, participou no Concílio Vaticano II e bem sabia que dedicar a Maria o último capítulo da Constituição sobre a Igreja significava colocar a Mãe do Redentor como imagem e modelo de santidade para todo o cristão e para a Igreja inteira. Foi esta visão teológica que o Beato João Paulo II descobriu na sua juventude, tendo-a depois conservado e aprofundado durante toda a vida; uma visão, que se resume no ícone bíblico de Cristo crucificado com Maria ao pé da Cruz. Um ícone que se encontra no Evangelho de João (19, 25-27) e está sintetizado nas armas episcopais e, depois, papais de Karol Wojtyła: uma cruz de ouro, um «M» na parte inferior direita e o lema «Totus tuus», que corresponde à conhecida frase de São Luís Maria Grignion de Monfort, na qual Karol Wojtyła encontrou um princípio fundamental para a sua vida: «Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria» (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 266).
No seu Testamento, o novo Beato deixou escrito: «Quando, no dia 16 de Outubro de 1978, o conclave dos cardeais escolheu  João Paulo II, o Card. Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia, disse-me: “A missão do novo Papa será a de introduzir a Igreja no Terceiro Milénio”». E acrescenta: «Desejo mais uma vez agradecer ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, do qual me sinto devedor, juntamente com toda a Igreja e sobretudo o episcopado. Estou convencido de que será concedido ainda por muito tempo, às sucessivas gerações, haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos prodigalizou. Como Bispo que participou no evento conciliar, desde o primeiro ao último dia, desejo confiar este grande património a todos aqueles que são, e serão, chamados a realizá-lo. Pela minha parte, agradeço ao Pastor eterno que me permitiu servir esta grandíssima causa ao longo de todos os anos do meu pontificado». E qual é esta causa? É a mesma que João Paulo II enunciou na sua primeira Missa solene, na Praça de São Pedro, com estas palavras memoráveis: «Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!». Aquilo que o Papa recém-eleito pedia a todos, começou, ele mesmo, a fazê-lo: abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e económicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus –, uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade. Sintetizando ainda mais: deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem –Redemptor hominis: foi este o tema da sua primeira Encíclica e o fio condutor de todas as outras.
Karol Wojtyła subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. Com esta mensagem, que é a grande herança do Concílio Vaticano II e do seu «timoneiro» – o Servo de Deus Papa Paulo VI –, João Paulo II foi o guia do Povo de Deus ao cruzar o limiar do Terceiro Milénio, que ele pôde, justamente graças a Cristo, chamar «limiar da esperança». Na verdade, através do longo caminho de preparação para o Grande Jubileu, ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso,  João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de «advento», numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.
Por fim, quero agradecer a Deus também a experiência de colaboração pessoal que me concedeu ter longamente com o Beato Papa João Paulo II. Se antes já tinha tido possibilidades de o conhecer e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa. O meu serviço foi sustentado pela sua profundidade espiritual, pela riqueza das suas intuições. Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério. E, depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor foi-o despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma «rocha», como Cristo o quis. A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Igreja.
Feliz és tu, amado Papa  João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu – nós te pedimos – a sustentar a fé do Povo de Deus. Muitas vezes, do Palácio, tu nos abençoaste nesta Praça! Hoje nós  te pedimos: Santo Padre, abençoa-nos! Amen.

quinta-feira, 28 de abril de 2011


Vestes Litúrgicas
VESTES LITÚRGICAS – Na missa o sacerdote reveste-se dos seis ornamentos seguintes: o amito, a alva, o cordão ou cíngulo, o manipulo, a estola e a casula. Foi o próprio Deus, no antigo Testamento, quem determinou os diferentes vestuários sagrados que deveriam ser utilizados pelos ministros conforme a natureza do culto a ser prestado. S. Jerônimo, ao comentar o que diz Ezequiel sobre o culto divino:“Não devemos entrar no Santo dos Santos, nem celebrar os sacramentos do Senhor trajando roupas comuns de uso diário... A religião divina tem um traje para o ministério e outro para o uso comum”.

A alva é uma veste de linho branco que desce até aos pés. No Oriente era uso vestir uma longa veste branca em certas circunstâncias, por exemplo, nos casamentos, em que o convidado recebia a veste nupcial em casa dos esposos. Jesus Cristo faz alusão a esse uso na parábola do festim das bodas (S. Mat. XXII, 12). Quanto ao simbolismo, a alva recebeu desde o início da cristandade um significado particular de pureza e incorruptibilidade. Como veste litúrgica especial dos sacerdotes, é lembrada, no Ocidente (398), pelo cânon 60 do chamado IV concílio de Cartago.




O cíngulo ou cordão serve para segurar as longas pregas na veste, que impediria o passo ao sacerdote. Os Orientais cingem assim a veste para as suas viagens e ocupações; foi assim que Tobias, procurando um companheiro, encontrou um homem com os rins cingidos e pronto para caminhar (Tob.V,5). O simbolismo deste vestido foi indicado por Jesus Cristo mesmo, quando disse: «Cingi vossos rins» (S. Luc. XII, 35). O cíngulo tem seu uso litúrgico acenado por Celestino I, na epístola aos bispos da Gália (428) tornando a propor a tradicional interpretação simbólica de Lc 12, 35.


amito é um pano de linho branco de que os Orientais se serviam para cobrir o pescoço, e com que os sacerdotes envolviam a cabeça (como o capuz dos religiosos) para serem menos facilmente distraídos durante o sacrifício. Este costume foi conservado em várias ordens religiosas, mas hoje não se coloca senão sobre o os ombros. No amito, vê-se simbolizada a reserva no uso da língua.


casula é uma veste munida de uma abertura para a cabeça, que cobre o peito e as costas, descendo até aos joelhos. Primitivamente era um longo manto fechado de todos os lados, de onde vem o seu nome de casula, que quere dizer casa pequena. A casula, para autores medievais como Ruperto de Deutz (De div. Off. 1, 22), representaria, a veste de Cristo, isto é, a Igreja.
estola é vestida cruzada no peito (cân. 4 do sínodo de Braga de 675). Para Amalário é sinal-emblema de humildade, e representa o jugo de Cristo, onus leve ac suave (Lib. off. II, 20 e 26,2)


manipulo era primitivamente um lenço de linho que o sacerdote levava no braço esquerdo para limpar o rosto; simboliza o feixe de boa obras que se deve apanhar. O Pontifical Romano do século XIII, interpreta também como símbolo das boas obras (IX, 6). A estola provém sem dúvida da guarnição da antiga toga, insígnia da mais alta dignidade romana. Com as suas duas extremidades pendentes do pescoço sobre o peito, é o símbolo da dignidade sacerdotal: o sacerdote serve-se dela em todas as funções litúrgicas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Domingo de Ramos na Forma Extraordinária do Rito Romano

Caros Irmãos em Cristo!



Próximo domingo dia 17 de abril de 2011,ás 8:30 am,será realizado o Cerimonial de Ramos na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé,localizada na Rua Primeiro de Março-Centro da Cidade do Rio de Janeiro-RJ.


Como Chegar a Antiga Sé

sábado, 19 de março de 2011

III Congreso sobre o  Motu Proprio Summorum Pontificum em Roma
Roma, 13-15 Maio -2011
Pontificia Universidade de Santo Tomás de Aquino
Largo Angelicum, 1 - 00186 Roma
tel. 06.67021
 

www.pust.it

Padre Paulo Ricardo Sobre a Campanha da Fraternidade 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Missa Cantada na Forma Extraordinária em Honra a São José

Dia 19 de março, festa de São José, às 8h
Local: Igreja Nossa Senhora Aparecida, no Patronato, Rua Francisco Portela, 762 São Gonçalo – RJ.
Celebrante: Pe. Anderson Batista da Silva.
A missa tradicional em latim está sendo celebrada todos os sábados, às 8h, na paróquia, independentemente da Cruzada do Imaculado Coração de Maria, que ocorre todos os primeiros sábados do mês.



Testemunho de Pe.Pedro Muñoz Iranzo
Confiteor


A reforma da liturgia acabou com quatro características da oração Confiteor antiga:

A vénia profunda em que a oração era dita;

A estrutura da oração como um diálogo entre o sacerdote e a congregação;

A invocação de vários santos pelo nome; e, finalmente,

A absolvição sacramental.

A inclinação profunda é a parte mais antiga da oração. Nos primórdios do Cristianismo cada missa começava com a prostração. Uma pessoa atirava-se ao chão de modo a abordar-se dos reis orientais. Os primeiros Cristãos, por esta razão, escolheram esta forma tão reverente de mostrar devoção e submissão quando tinham que entrar na presença do Deus-homem e Seu sacrifício. Inicialmente nada era dito. No séc. VIII surgiu o costume de se dizer neste momento, durante a prostração (que evoluiu gradualmente para uma vénia profunda), a confissão de pecados como tinha sido prescrito desde o início para o começo do rito sacrificial do Novo Testamento.

A forma de diálogo do Confiteor deriva do ofício divino dos monges. Sempre foi trocado entre dois vizinhos no coro; um monge confessava os seus pecados ao outro – o outro monge implorava pela misericórdia de Deus para ele. Na missa solene pontifical do rito antigo esta tradição é preservada; o Confiteor é recitado por dois cónegos. Esta forma surgiu a partir da percepção de que a maioria dos pecados contra Deus são ao mesmo tempo pecados contra o próximo, que o arrependimento deve conduzir à reconciliação e que todo homem deve confiar na oração de outros. É necessário um ouvinte de modo a que realmente seja reconhecia a própria culpa. De modo a que, após a confissão, a oração de intercessão do ouvinte possa efectivamente desenvolver quem se confessa é obrigado a manter silêncio. Outro elemento de significado foi adicionado quando a relação entre vizinhos de um banco se tornou uma relação entre sacerdote e congregação. O sacerdote, que tinha sido chamado para realizar o sacrifício na pessoa de Cristo, confessava agora perante a comunidade toda sua imperfeição e, curvando-se profundamente, esperava a sua intercessão. Poderá-se dizer que só isso lhe dava a coragem para subir ao altar.

A fórmula “indulgentiam” que acompanha a confissão dos pecados e as petições para o perdão é uma fórmula inicial para a absolvição. O sinal da cruz que o sacerdote faz ao dizer esta oração tomou o lugar da imposição das mãos. A relação desta absolvição com a absolvição no sacramento da penitência não será examinada em maior profundidade aqui. Em qualquer caso, é evidente que a Igreja considerava o “indulgentiam” como um sacramental, que absolve os pecados veniais. Que a celebração do sacrifício começava com a absolvição era apenas lógico para um culto que tinha como objecto a representação da morte sacrificial de Cristo – uma morte para a redenção dos homens do fardo de seus pecados.

Estes três elementos do Confiteor uniam a comunidade que celebrava com o Cristianismo primitivo e o monaquismo, concretizando a confissão geral do pecado e revelava-o como o primeiro estágio do sacrifício. Em contraste com a sua remoção, a substituição dos nomes individuais dos santos através da fórmula “e todos os santos” é o mais fácil de aceitar. O Céu aparece nestes nomes como uma família hierarquicamente estruturada real. No topo está a “Rainha dos anjos, patriarcas e apóstolos”, depois o “príncipe dos exércitos celestiais”, posteriormente o “primeiro dos nascidos de mulher” e, finalmente, os “príncipes dos apóstolos”. Inúmeras obras de arte adoptaram esta linguagem figurativa, perpétuamente em formas novas. O seu núcleo é a visão de que a ordem é inerente à criação de Deus; sim, que o próprio Deus é a ordem. O homem medieval ainda podia imaginar que, mesmo entre os salvos, existem diferentes graus de proximidade com Deus e diferentes tipos de relação com Ele. Será que os “reformadores” acreditaram no final que tinham de acomodar convenções democráticas, especialmente enfatizando a igualdade de todos os “santos” efectuada pela redenção? Ou será que eles só queriam eliminar um elaborado floreado gótico quando baniram do Confiteor o cortejo hierarquicamente estruturado dos santos?

A beleza dos textos litúrgicos muitas vezes reside no facto de que revelam significados a diferentes níveis. Levam-nos à meditação e revelam-se à meditação. A hierarquia dos santos aparece aqui como uma metáfora para a ordem divina numa oração relativa à confissão do pecado, que é desordem. Não é de estranhar que todos os representantes desta ordem têm algo de especial a dizer à desordem do pecado que lhes é revelado na oração.

A lista começa com Maria. Ela representa a forma original do homem: Deus pretendeu que o homem fosse o que Maria é. Intocada pelo pecado original e com a virgindade imaculada, assemelha-se ao homem no sexto dia da criação: inteiro, a imagem e semelhança de Deus, transparente para o fluxo incessante de graça. Como é Maria, assim deve ser o pecador. A restauração do pecador comporta as características de Maria na personalização icónica.

O Arcanjo Miguel está ligado ao mistério da génese do mal. Ele lutou contra Satanás e, portanto, a fonte de pecado e de todo pecado individual que, como o seu modelo diabólico, consiste na rebelião contra a ordem divina. Mas o Arcanjo Miguel também lembra-nos que o diabo foi derrotado. Ele pode tentar o indivíduo pecador, mas nunca dominar sobre a criação de Deus. Olhando para o arcanjo o pecador reconhece a origem e a impotência de seu ato.

João Baptista mostra o caminho da redenção: a conversão. É um ato espiritual, mas deve ser expresso com atividade de modo a comunicar ao pecador a realidade de sua decisão. A água, que lava a sujidade do corpo, também deve lavar a alma suja. A oração tem de desviar de si o espírito aprisionado no amor-próprio. Privação corporal tem de libertar a alma da pressão do hábito. João Baptista encarna os passos práticos que o pecador pode tomar se desejar libertar-se do pecado.

Pedro tem as chaves do reino dos céus, ele representa o poder de absolvição da Igreja. Ele comunica ao pecador que deseja converter-se a certeza de que o verdadeiro perdão irá responder ao seu desejo – mesmo que, com bastante frequência, esse desejo seja aceite no lugar do acto. Cristo, o perdoador do pecado, está presente em Pedro e na Igreja. Pedro, acima de todos os outros, tinha experimentado o Seu poder perdoador. Pedro é o sacramento, o vaso indigno através do qual o poder de Deus flui.

Finalmente, Paulo ensina a condição sob a qual se desenvolve o sacramento: a crença do pecador de que Cristo pode curá-lo das suas enfermidades. Esta fé é um dom da graça. Com este dom começa o trabalho de restauração do pecador. O objectivo dessa restauração é o homem nascido de novo na graça. Com isso o círculo é fechado. O contemplativo procedia de Maria e retorna a ela.

Ao pregar suas doutrinas a Igreja antiga escolheu uma e outra vez o caminho de torná-las visíveis sob a forma do homem. O semblante do homem deu-lhes uma vida da qual careciam as formulações teóricas. As figuras dos santos como entendido pela Igreja antiga não são decorações piedosas ou “Cartão de plástico Romano” (como escreveu André Gide) produzido em massa . Quem acredita que pode eliminá-los sem diminuir o ensinamento de Jesus Cristo não entende a essência da Igreja – que consiste, acima de todo, desses próprios santos. No caso da oração do Confiteor, são estes mesmos santos que ensinam o fiel a compreender sua confissão correctamente. Pois ele a dirá de forma diferente quando sabe que os seus olhos estão sobre ele.

Martin Mosenbach
Fonte:Una Voce

segunda-feira, 14 de março de 2011

Para aqueles que desconheçam ou estejam menos familiarizados com a Missa Tridentina, reproduzimos aqui uma breve síntese da sua estrutura, conforme encontrada no Missal de D. Gaspar Lefebvre:
A Missa tem duas grandes divisões que se subdividem em seis partes:
A – MISSA DOS CATECUMENOS
1ª Parte: PREPARAÇÃO (do Asperges à Coleta)
Actos de contrição, ou o amor que se purifica
  1. Água Benta
  2. Sinal da Cruz
  3. Salmo Judica
  4. Confissão pública
  5. O Sacerdote no altar
  6. Introito
  7. Kyrie
  8. Gloria
2ª Parte: INSTRUÇÃO (da Coleta ao Credo)
Actos de fé, ou o amor que se esclarece
DOMINUS VOBISCUM – OREMUS
  1. Coleta e orações
  2. Epístola, ou palavra dos Apóstolos e dos Profetas
  3. Gradual e Aleluia
  4. Evangelhos, ou palavras do Mestre
  5. Sermão
  6. Credo
B – MISSA DOS FIÉIS
3ª Parte: OFERTÓRIO (da Oferta ao Prefácio)
Atos de abandono, ou o amor que se oferece
DOMINUS VOBISCUM – OREMUS
  1. Oferta do pão e do vinho
  2. Incensar das ofertas e dos fiéis
  3. Lavar das mãos (Lavabo)
  4. Oração à Santíssima Trindade
  5. Orate Fratres e Secreta com o Ámen de adesão ao Ofertório
4ª Parte: CONSAGRAÇÃO (do Prefácio ao Pater)
Actos de esperança, ou o amor que se imola
DOMINUS VOBISCUM – ET CUM SPIRITU TUO
  1. Prefácio do Canon
  2. Canon, ou regra da Consagração
  3. Leitura dos Diptícos
  4. Orações preparatórias para a Consagração
  5. Transubstanciação e elevação maior
  6. Oblação da vítima a Deus
  7. Leitura dos Dipticos
  8. Conclusão do Canon e Elevação Menor com o Ámen de adesão às orações do Canon.
5ª Parte: COMUNHÃO (do Pater às Abluções)
Actos de amor, ou o amor que se une
OREMUS
  1. Pater e Libera
  2. Fracção da hóstia
  3. Agnus Dei
  4. Orações preparatórias para a Comunhão
  5. Recepção do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor com o Ámen de adesão dito pelo sacerdote e outrora pelos fiéis.
6ª Parte: AÇÃO DE GRAÇAS (da Comunhão até o ao fim)
Actos de reconhecimento, ou o amor que agradece
DOMINUS VOBISCUM – ET CUM SPIRITU TUO
  1. Orações durante as abluções
  2. Antifona da Comunhão e Pós-Comunhão
  3. Ite missa est e Bênção
  4. Última Evangelho
  5. Orações ao pé do altar

domingo, 13 de março de 2011

Fotos
da
Missa Pontifical do Cardeal Burke em Sydney-Australia





Fonte:Australia incognita

quinta-feira, 10 de março de 2011








Capela com os restos mortais da beata Bárbara Maix é elevada a Santuário


Porto Alegre (Quarta-Feira, 09-03-2011, Gaudium Press) No último domingo, dia 06 de março, a arquidiocese de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, decretou e elevou a Capela São Rafael - conhecida por guardar o relicário com os restos mortais da beata Bárbara Maix - à dignidade de Santuário. A celebração eucarística de elevação foi presidida pelo arcebispo local, Dom Dadeus Grings.

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Capela começou a receber um número maior de visitantes depois que Bárbara Maix foi beatificada
De acordo com a postuladora da causa da canonização de Madre Bárbara Maix, Irmã Gentila, até a beatificação da fundadora da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, a Capela São Rafael era utilizada como Oratório da própria Congregação e lá era conservada uma urna com os restos mortais da fundadora. A Irmã destaca que a frequência de visitantes era mínima. No entanto, após a beatificação, a Capela passou a receber a visita de muitos devotos e fiéis.

Segundo a religiosa, se o movimento já havia crescido com a beatificação, agora, após a elevação da Capela a Santuário, ele ficará ainda maior. "Surgirão mais peregrinos, devotos de Bárbara Maix, que levarão suas preces à beata e manterão viva a memória da celebração de beatificação do dia 06 de novembro de 2010. Todos são bem-vindos e saem fortalecidos em suas esperanças", ressaltou.
O Santuário está aberto ao público. Os fiéis podem participar das missas celebradas no local nos sábados às 16h e todo dia 06 de cada mês às 19h. Também é possível organizar visitação em grupos ao local. O horário de visita é de segunda a sábado, das 13h às 18h.

Capela São Rafael

A Capela São Rafael teve sua construção iniciada em 1877, e foi inaugurada no dia 27 de janeiro de 1878. Foi erguida tendo à frente o bispo Dom Sebastião Dias Laranjeira, como cumprimento a uma promessa. Em 1886, o templo religioso foi doado às Irmãs de Coração de Maria junto com alfaias litúrgicas, um carrilhão composto de 10 sinos e as imagens do Coração de Jesus e do Coração de Maria.

A Capela passou por uma reforma nos anos de 1963-1964 e, mais recentemente, em 2001 e 2002. Os quadros da via-sacra, presentes na Capela até hoje, foram trazidos da Áustria em 1848 pela beata Bárbara Maix. No altar-mor, encontra-se a imagem de Jesus Ressuscitado esculpida em madeira maciça.

Fonte: Gaudium Press

terça-feira, 8 de março de 2011

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 201
1 

«Sepultados com Ele no baptismo,
foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)

Amados irmãos e irmãs! 

A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de Quaresma).
1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, «tendo-nos tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo» iniciou para nós «a aventura jubilosa e exaltante do discípulo» (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria existência «os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao homem.
O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu possa «conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos, configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos» (Fl 3, 1011). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.
Um vínculo particular liga o Baptismo com a Quaresma como momento favorável para experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os Pastores da Igreja a utilizar «mais abundantemente os elementos baptismais próprios da liturgia quaresmal» (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De facto, desde sempre a Igreja associa a Vigília Pascal à celebração do Baptismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8, 11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: deveras eles vivem o Baptismo como um acto decisivo para toda a sua existência.
2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é baptizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a Ele.
O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum, n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Ef 6, 12), no qual o diabo é activo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.
O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, «em particular, a um alto monte» (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça deDeus: «Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O» (v. 5). É o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito, onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.
O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.
O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».
Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.
O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas baptismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos «da água e do Espírito Santo», e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à acção da Graça para sermos seus discípulos.
3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do Baptismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de Cristo, a «palavra da Cruz» manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).
No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.
Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permitenos também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas palavras não passarão» (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele «que ninguém nos poderá tirar» (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna.
Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Baptismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas acções. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.



BENEDICTUS PP. XVI

segunda-feira, 7 de março de 2011

"PAPA PEDE QUE REDESCUBRAMOS, NESTA QUARESMA,A BELEZA DE DEUS: REFLEXÃO DO ARCEBISPO FORTE"


Cidade do Vaticano, 07 mar (RV) - A Igreja prepara-se para viver o tempo forte da Quaresma. De fato, na tarde da próxima quarta-feira, na Basílica romana de Santa Sabina, o Papa celebrará a missa com o tradicional rito da bênção e imposição das Cinzas. Sobre a Mensagem de Bento XVI para a Quaresma, centralizada no tema "Sepultados com Ele no Batismo, foi também com Ele que ressuscitastes" (Col 2, 12), a Rádio Vaticano pediu uma reflexão ao Arcebispo de Chieti-Vasto – localizada na região italiana dos Abruços – Dom Bruno Forte. Eis o que disse:

Dom Bruno Forte: -"O Papa faz-se realmente mistagogo: o mistagogo, na Igreja antiga, é o pastor, o bispo que nos leva a descobrir a beleza de Deus mediante a graça dos Sacramentos, em que essa beleza nos é comunicada. Na mensagem para esta Quaresma de 2011 o Papa nos apresenta o Sacramento do Batismo, e o faz em sua realidade mais profunda e dinâmica, que é a de uma participação na Páscoa de Cristo: "Sepultados com Ele no Batismo, foi também com Ele que ressuscitastes". Toda a vida cristã é uma vida pascal e é uma vida batismal. Recordar o nosso Batismo não é uma operação de "arqueologia espiritual"; na realidade se trata de atualizar novamente o encontro com o Senhor Jesus, que é o segredo e a beleza da nossa vida."

P. Há uma passagem muito bonita na mensagem: "O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do Batismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a «terra»". Isso é importante para viver bem também a Páscoa?

Dom Bruno Forte:- "Sim, mesmo porque o Papa lê – numa perspectiva nem moralista nem ascética – os três grandes caminhos do compromisso quaresmal: exatamente o jejum, a oração e a esmola. Precisamente em relação à esmola – por exemplo – ele faz entender como esse despojar-se do supérfluo, esse tornar-nos disponíveis às necessidades dos outros – e são muitos os necessitados, neste momento de dificuldade e de crises na aldeia global e inclusive em nossa Itália – é uma participação no despojamento de Cristo, na sua morte e na sua Ressurreição e, portanto, um assemelhar-se a Ele."

P. Subjacente à tentação – observa o Pontífice – encontra-se o diabo, "que é ativo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor"...

Dom Bruno Forte:- "O Papa é extremamente realista. O diabo é uma presença e para quem conhece as Escrituras é até mesmo evidente que a despedida do diabo, da qual algum exegeta quis falar nos anos setenta, era uma operação racionalista e absolutamente distante da fé da Igreja e do testemunho bíblico, onde – aliás – nos é apresentada a luta de Jesus com o demônio e a vitória de Cristo sobre Satanás como Boa Nova. O que isso quer dizer? Quer dizer que há um mistério do mal e de mal radical que age neste mundo, certamente subordinado ao primado e à soberania de Deus. Esse mistério na tradição bíblica e na fé da Igreja assume também uma configuração pessoal, na figura, exatamente, de Satanás, do adversário, do maligno que busca separar-nos de Deus, como diz seu próprio nome: "diabo" é aquele que separa, que divide. Ora, a ilusão da inexistência do demônio torna-nos absolutamente indefesos diante dele, e como dizia André Gide: "A astúcia mais sutil do demônio é fazer crer que não exista"." (RL)
Fonte:Rádio Vaticano
Suma Teológica

Na década de 1940, 1960, editora espanhola Biblioteca de Autores Cristianos (BAC) publicou um do célebre anotada edições maioria dos Summa Theologica, em 16 volumes bilíngüe (Latim / Inglês) , com comentários de frades dominicanos sob a direção do Bispo Francisco Barbado Viejo, OP, ajudante Quem encontrou BAC Após a Guerra Civil.  É considerado por muitos para fornecer os melhores e os mais profundos e apresentações didáticas e notas sobre a Summa em qualquer língua moderna.

Chegou ao nosso conhecimento que, algumas décadas após a publicação de apenas pós-conciliar seus 5 volumes muito inferiores versão (também disponível online aqui ), a CBA já começou desde o ano passado a reedição de uma versão fac-símile (3 ª edição) da 16 volumes clássico - Fornecer o primeiro 1 (I, Q.1-26) e segunda (I, q.27-74) volumes da série.
 
 
 
Fonte: Rorate coeli 
Faculdade de São Bento do RJ ministra Curso de extensão sobre ‘Música’

A Faculdade São Bento do Rio de Janeiro (RJ) ministra, entre os dias 11 de março e 29 de abril, sempre às sextas-feiras, das 10h às 12h30, o Curso de Extensão “Formas Musicais – Como ouvir o pensamento Musical”. O curso será ministrado pelo maestro Ricardo Rocha, que, atualmente ministra na Faculdade de São Bento a disciplina História da Música Sacra no curso de pós-graduação lato sensu em História da Arte Sacra.

Durante o curso serão analisadas sete das mais importantes e diferentes formas que a história da música produziu e consagrou: Abertura, Suíte, Sinfonia Clássica, Sinfonia Romântica, Concerto Solista, Poema Sinfônico e Missa. Serão também analisadas 16 dentre as mais importantes e famosas obras da história da música, escritas nos séculos 18, 19 e 20, por 14 dos maiores compositores de todos os tempos, como Bach, Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms, Wagner, Tchaikovsky, Dvorák, Miguéz, Debussy, Ravel, Sibelius, Bartók e Stravinsky.


O objetivo é possibilitar a aprendizagem de uma audição musical inteligente para leigos em música, mas também estudantes de artes em geral e músicos profissionais.


Outras informações no site http://www.faculdadesaobento.org.br

Paramentos que Foram Usados pelo Pe.Pio





 
Fonte:orbiscatholicussecundus