terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Santa Missa no Outeiro da Glória/RJ



Próximo domingo dia 19 de Fevereiro de 2012,não haverá  a Santa Missa na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé em virtude de blocos de carnaval.O Revmo.Monsenhor José de Matos transferiu a Santa Missa para a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro,localizada na Praça Nossa Senhora da Glória,135-Glória-Rio de Janeiro/RJ.

A cerimonia será,ás 12h:30,para aqueles que não conhecem  o ponto de referência da Igreja e o restaurante taberna da glória ou próxima a saída do metro.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Santa Missa na História e na Mística - AS CORES DOS PARAMENTOS.





AS CORES DOS PARAMENTOS.

1.       O Branco.
2.       O Encarnado.
3.       O Verde.
4.       O Roxo.
5.       O Preto.
6.       O Róseo.

1.       O Branco.

Os paramentos que ostentam cor branca revelam dia de festa e júbilo.
É sempre o fundo dos paramentos que diz se um paramento é branco, encarnado, verde, roxo, preto ou róseo, e não a corda da cruz da casula, e é o fundo que se apresenta com relevos artísticos trabalhados em ouro, pedraria e prata.
Entre as cores é o branco a expressão da alegria da inocência, da glória angélica, do trunfo dos Santos, da dignidade e da vitória do Salvador.
Por isso os paramentos de cor branca são usados na Igreja romana nas festas de Nosso Senhor Jesus Cristo: Natal, Epifania, Ascenção, Corpo de Deus, festas do Sagrado Coração de Jesus; nas festas de Nossa Senhora, de todos os Santos, Pontífices, Doutores, Confessores e Virgens, numa palavra, nas festas dos santos e santas que não forem mártires.

2.       O encarnado ou vermelho.

A Igreja Romana prescreve, além dos paramentos brancos, os encarnados, os verdes, os roxos, e os pretos. Entende-se aqui por paramentos a casula, a estola e o manípulo.
Os paramentos encarnados ou vermelhos são usados nas festas do Espírito Santo, da Cruz, e dos Santos Mártires.
Quão bem quadra o encarnado nestas Missas! Simboliza, em seus esplendor, o fogo, e em sua cor, o sangue: o fogo da caridade pura e santa, o fogo que teve o poder de levar os que o sentiam crepitar estuante, no peito, a dar a vida e o sangue por Deus.

3.       O verde.

Os paramentos verdes são usados nas funções religiosas das Têmporas, que significam na liturgia mística a peregrinação rumo do céu, i. é, no tempo que segue à Epifania e Pentecostes.
Em verdade, muito bem sabe a Igreja interpretar os pensamentos mais sublimes por meio dos mais simples sinais e símbolos! Manda ao sacerdote que use dos paramentos verdes nestes dias para ficar com o sentir do povo cristão, que vê no verde a cor da primavera e o símbolo da esperança, dando-lhe ocasião de suspirar pela eterna primavera como peregrinos que têm postos os olhos só na Cidade Eterna, com a firme esperança de lá chegar.

4.       O roxo.

Os paramentos roxos ou violáceos são usados durante o Advento, Septuagésima, Quaresma, Têmpora, Vigílias, Rogações e as três solenes bênçãos litúrgicas do ano, i. é, das velas, das cinzas e das palmas.
Também aqui está a cor maravilhosamente escolhida. É a cor da penitência; e os dias em que ela é usada são de penitência. É a cor, cujos reflexos ora claros, ora escuros fascinam a vista, considerada na antiguidade como a cor significativa do poder régio, da soberania, das altas dignidades, das riquezas.
A Igreja, longe de abolir este simbolismo, ampliou-o, modificando lhe o aspecto e aplicando-o à penitência, à oração em meio da aflição e da humilhação. E não é precisamente isto que nos enriquece, eleva e dignifica? Não é a penitência, a oração e a humilhação que nos tornam gratos a Deus e nos conquistam a sua graça?

5.       O preto.

O preto está em perfeito antagonismo com o branco. Se esta cor é símbolo da alegria, aquela é o símbolo da tristeza.
A cor preta recorda tristeza, designa luto, relembra a morte.
A Igreja veste luto na comemoração da morte de Jesus e de seus filhos. Chora-lhes a morte como Esposa que é de Jesus e como Mãe que é dos cristãos. Lá está ela vestida de preto no altar a interceder e a sacrificar pelos filhos bem amados.

6.       O róseo.

Os paramentos róseos foram introduzidos nas igrejas ricas e são usados só duas vezes ao ano: no terceiro domingo do Advento, chamado “Gaudete”, e no quarto domingo da Quaresma, chamado “Laetare”. A origem desta cor litúrgica vem disso: no domingo “Laetare”, o Papa benzia a rosa que enviaria, ora a um, ora a outro dos príncipes cristãos.
Só mais tarde é que esta cor ficou introduzida no domingo “Gaudete”, que apresenta algumas analogias litúrgicas como o domingo “Laetare”.
Estas são as cores dos paramentos na Igreja romana, que não reconhece nenhuma outra mais.
A Sagrada Congregação para os Ritos reprovou o uso de paramentos de diversas cores, em que já não se possa discernir a cor dominante do fundo. Proibiu outrossim a cor amarela e azul. Tolera o tecido de ouro puro, que, segundo o uso romano, pode substituir o branco, o róseo e o verde; e da mesma forma tolera o prata, que pode servir para o branco.

N.B. A uniformidade exige que todas as mais peças, com o frontal, o conopéu, etc., sejam sempre da cor da casula, excetuado o conopéu, que nunca deve ser de cor preta.


Publicado Anteriormente:






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Latim, Língua da Igreja



 
IOANNES PP. XXIII
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUAM REI MEMORIAM
CONSTITUTIO APOSTOLICA
VETERUM SAPIENTIA

DE LATINITATIS STVDIO PROVEHENDO



A sabedoria antiga contida na literatura dos gregos e dos romanos e os preclaros ensinamentos que remanescem dos povos de outrora devem ser considerados como uma aurora que deixa prever a verdade que o Filho de Deus, árbitro e Mestre da Graça e da disciplina, Luz e Guia do Gênero humano (1), veio anunciar sobre a terra. De fato, os Padres e os doutores da Igreja reconheceram nas lembranças mais importantes dos tempos antigos, uma certa preparação das almas para que elas estivessem em condições de receber as riquezas sobrenaturais que Jesus Cristo, na plenitude dos tempos (2), comunicou aos mortais. E daí se vê claramente que a instauração da ordem cristã se fez sem que se perdesse nada daquilo que os séculos passados tinham produzido de verdadeiro, justo, nobre e belo.

Por disposição divina, língua própria da Santa Sé.

Assim a Igreja prestou homenagem a esses testemunhos da sabedoria, e primeiramente às línguas grega e latina que tinham revestido essa sabedoria de uma como indumentária de ouro. Ademais, Ela aceitou o uso de outras línguas veneráveis que floresciam no oriente, dado que essas línguas certamente contribuíam, também elas, em larga medida para o progresso humano e a educação dos costumes. E tais idiomas permaneceram até hoje em uso, em certas regiões, para as cerimônias litúrgicas e a interpretação das Sagradas Escrituras, como expressão de uma voz antiga, ainda hoje vivaz e nunca interrompida.
Entre essas diversas línguas se distingue a que nasceu no Lacio e em seguida se desenvolveu extraordinariamente para difundir o nome cristão no Ocidente. E não foi sem disposição divina que essa língua, que durante séculos tinha congregado a mais vasta associação de nações sob a autoridade do império romano, se tornou a língua própria da Sé Apostólica (3) e foi assim conservada para a posteridade, reunindo os povos cristãos da Europa por “um estreito laço de unidade”.
Realmente, por sua própria natureza, a língua latina se adapta perfeitamente a promover em todos os povos toda civilização, porque não suscita inveja, se apresenta igual a si mesma perante cada nação, não favorece nenhuma destas, e é em consequência acolhida por todos como amiga. Cumpre não desprezar tão pouco o fato de que o latim possui uma contextura e uma propriedade de expressão de todo nobre. Sim, é uma língua concisa, rica, harmoniosa, cheia de majestade e de dignidade (4), que convém de modo particular à limpidez e à gravidade.
Qualidades conformes à natureza da Igreja.

É por essas razões que a Sé Apostólica se empenhou sempre em conservar cuidadosamente a língua latina e consideru-a digna de ser utilizada por ela no exercício de seu magistério, como uma vestimenta magnífica da doutrina celeste e das leis santíssimas (5), ao mesmo tempo que julgou conveniente que os ministros sagrados a empregassem. E, com efeito, os eclesiásticos de todos os países podem, graças ao conhecimento da língua de Roma, ser informados mais rapidamente e mais exatamente de tudo o que depende da Santa Sé, e ter com esta, bem como entre si, relações mais fáceis.
Esta língua tão intimamente ligada à vida da igreja, é mais por motivos religiosos mesmo, do que pelas razões de cultura literárias, que importa conhece-la e pratica-la (6), como Nosso Predecessor de imortal memória, Pio XI nos adverte. Ele que tinha estudado a questão de modo racional e metódico, mostrou que essa língua possui três qualidades que convém admiravelmente à natureza da Igreja: E, com efeito, a Igreja, para abraçar todas as nações e para permanecer Ela mesma até o fim dos séculos... tem necessidade de uma língua que, por sua própria natureza, seja universal, seja imutável e não seja vulgar (7).
Língua universal.

Como é necessário que todas as Igrejas estejam de acordo (8) com a Igreja de Roma, por isso que os Soberanos Pontífices têm um verdadeiro poder episcopal, ordinário e imediato, quer sobre todas as Igrejas em conjunto e sobre cada uma delas, quer sobre o conjunto dos Pastores e dos fiéis, bem como sobre cada um deles (9), qualquer que seja seu rito, sua nação ou sua língua, - é evidentemente de toda a conveniência que o instrumento de suas relações recíprocas seja universal e idêntico em todas as circunstancias, e isso sobretudo no que diz respeito a Sé Apostólica e as Igrejas que utilizam o mesmo rito latino. Assim, os Romanos Pontífices, quando querem dar um ensinamento aos povos católicos, as Congregações da Cúria Romana, ao terem de tratar algum negócio ou redigir um decreto concernente à universalidade dos fiéis, utilizam igualmente a língua latina: é como se nações inumeráveis acolhessem a voz de sua própria Mãe.
Língua Imutável.

A língua empregada pela Igreja deve ser, não apenas universal, mas ainda invariável. Se as verdades da Igreja Católica fossem confiadas a línguas modernas, mais ou menos numerosas, das quais nenhuma teria mais autoridade que as outras, resultaria daí, evidentemente, que o valor dessas verdades não apareceria a todos suficientemente caracterizado nem bastante preciso, na verdade que elas apresentam, desde que não existiria nenhuma norma comum e estável à qual se pudesse comparar as expressões das outras línguas. Na realidade, o latim, protegido de ora avante de todas as variações que o emprego cotidiano inflige, ordinariamente, ao sentido das palavras, deve ser tido por fixado e invariável. De resto, os significados novos que o progresso, a explicação e a defesa das doutrinas cristãs têm exigido, estão também eles de há muito determinados e fixados.
Língua vulgar, ou nobremente majestosa?

Finalmente, a Igreja católica, porque fundada por Cristo Senhor, sobrepuja em dignidade a todas as outras, e por isso mesmo convêm que Ela utilize uma língua que seja, não vulgar, mas marcada por uma nobre majestade.
Tesouro incomparável e chave de tradição.

Ademais, a língua latina – que podemos verdadeiramente chamar católica (10), pois está consagrada pelo uso constante da cátedra Apostólica, a qual bem merece ver se lhe atribuem os nomes de mãe e Mestra de todas as Igrejas – essa língua latina deve ser considerada como um tesouro... de uma magnífica superioridade (11), como a porta que dá acesso às verdades cristãs recebidas desde a antiguidade e à interpretação dos documentos do Magistério Eclesiástico (12). E, por fim, como o laço mais eficaz que liga maravilhosamente a época atual da Igreja à do passado e à do futuro.
Eficácia formativa do latim.

Ninguém, na verdade, põe em dúvida que a língua dos romanos e as letras clássicas possuem uma qualidade reputada inteiramente própria para ensinar e modelar o espírito maleável dos adolescentes. Esta qualidade particular torna-a apta a aperfeiçoar as faculdades superiores do espírito e do coração. Ela aguça a vivacidade do espírito e o vigor do julgamento, permite que a inteligência das crianças se fortaleça e se torne capaz de abraçar e de pesar exatamente todas as coisas. Enfim, ela oferece a vantagem de possibilitar uma formação superior na arte do raciocínio e das palavras.
Para que não se tornem frios como as máquinas.

Refletindo sobre todas essas qualidades, compreende-se que os Romanos Pontífices tenham louvado o valor e a superioridade do idioma latino, e mais ainda que eles tenham prescrito aos ministros do Clero secular e regular o estudo e o emprego do latim, denunciando os perigos que há em negligencia-lo.
E os sérios motivos que determinaram Nossos Predecessores e diversos Sínodos Provinciais (13) Nos levaram, também a Nós, a querer firmemente envidar esforços para a promoção do estudo e do emprego dessa língua, depois de lhe ter restituído toda a dignidade que ela merece. Em muitos lugares começou-se em nossos dias a pôs em discussão o uso da língua de Roma, e bom número de pessoas pergunta qual é o pensamento da Sé Apostólica a esse respeito: por isso decidimos publicar esse documento, que reputamos importante e que fará conhecer as diretrizes pelas quais entendemos prover a que o uso antigo e ininterrupto seja mantido, bem como seja restabelecido onde tiver quase caído em dessuetude.
De resto, julgamos ter já expresso bastante claramente Nosso pensamento, quando dissemos a ilustres latinistas: Ah! Muitos, cativados desmedidamente pelos espantosos progressos técnicos, ousam rejeitar ou reduzir os estudos latinos e as disciplinas análogas...
Nós, pelo contrário, sob o império mesmo dessa necessidade, pensamos que é preciso seguir o caminho inverso. Pois se o que é mais conforme à natureza e à dignidade do homem é que se fixa no espírito, cumpre procurar com mais ardor aquilo que poderá cultivar e ornar o espírito, de receio de que os pobres mortais se tornem, à imagem das maquinas que eles constroem, frios, duros e sem amor (14).

Normas Práticas.

Tendo pois considerado e maduramente pesado tudo isso, na plena consciência e pela autoridade de Nosso cargo, estabelecemos e ordenamos quanto segue:
Os Bispos e os superiores maiores da Ordens Religiosas se apliquem tanto quanto for necessário, a que em seus seminários e escolas que preparam os jovens para o Sacerdócio, todos se submetam à vontade da Sé Apostólica neste particular, e obedeçam conscienciosamente às prescrições que Nós damos.
Velem com solicitude paternal por que nenhum dos seus jurisdicionados, impelido pelo desejo da novidade, escreva contra o emprego da língua latina, quer no ensino das disciplinas sagradas mais elevadas, quer na celebração dos ritos sacros, e de um preconceito, minimize ou interprete mal a vontade da Sé Apostólica nesta matéria.
Segundo as prescrições do Código de Direito Canônico (Can. 1364) e as de Nossos Predecessores, os aspirantes ao sacerdócio, antes de empreenderem os estudos propriamente eclesiásticos, devem ser formados na língua latina por mestres plenamente competentes, segundo um método adequado, e consagrando a ela o tempo conveniente. E tal coisa é ordenada de receio de que mais tarde, quando tiverem chegado às disciplinas superiores..., a ignorância da língua lhes torne impossível adquirir a plena inteligência dos ensinamentos e, mais ainda, exercitar-se nos debates escolásticos, que aguçam tão bem as inteligências jovens para defender a verdade (15). Queremos que isto seja válido mesmo para os que chamamos tardiamente a preparar-se para os sagrados encargos, não tenham feito estudos clássicos, ou os tenham feito insuficientemente. Não se deve, com efeito, admitir aos cursos de filosofia e teologia quem quer que não tenha sido instruído pena e perfeitamente nessa língua, e não tenha sido preparado para utiliza-la.
Se em algum lugar, em virtude de uma assimilação dos programas aos das escolas públicas, se tiver suprimido algo do estudo da língua latina, em detrimento de um ensino sadio e sólido, julgamos que a ordem tradicional do ensino desta língua deve ser absolutamente restabelecida. Pois todos devem estar persuadidos de que, mesmo neste ponto, é necessário observar escrupulosamente o método de formação dos aspirantes ao Sacerdócio, não só no que concerne ao número e ao gênero das matérias ensinadas, mas também quanto ao tempo que se deve consagrar a elas. E se exigirem o acréscimo de matérias estranhas às comumente requeridas, será preciso prolongar o curso de estudos, ou então limitar a parte dessas disciplinas estranhas, ou ainda transferir o estudo para outra ocasião.
As matérias principais do ensino eclesiástico, como tantas vezes foi prescrito, devem ser tratadas em latim. Esta língua, sabemo-lo pelo uso de muitos séculos, é considerada a mais apta para explicar om exatidão, facilidade e perspicácia, a natureza das coisas e as noções mais difíceis e mais sutis (16); o fato de que ela já está enriquecida de termos próprios e fixados, capazes de manter a integridade da fé, a torna soberanamente apta a suprimir uma vã prolixidade. Em consequência, os que ensinam estas matérias nos institutos e seminários são obrigados a falar em latim. E se algum destes, por ignorância da língua latina, não forem aptos a aplicar essas prescrições da Santa Sé, deverão ser progressivamente substituídos por mestres que tenham esta capacidade. Na verdade, quanto as dificuldades que provierem dos estudantes ou dos professores, será necessário suplanta-las graças à constância dos Bispos e ao bom espírito dos Mestres.
Posto que o latim é a língua viva da Igreja, deve poder satisfazer às necessidades dia a dia mais numerosas da palavra e, portanto, deve ser dotado de vocábulos adequados, de um modo que convenha universalmente e que respeite a homogeneidade da língua latina antiga, - modo que os Santos Padres e os escritos escolásticos puseram em prática. Por isso damos mandado à sagrada Congregação dos Seminários e Universidades para prover à constituição de um Instituto Acadêmico do Latim. Este instituto deverá reunir um corpo de mestres exímios nas línguas latina e grega, escolhidos no mundo inteiro. Como o fazem as Academias de certos países, encarregadas de promover a língua nacional, caberá a este instituto em primeiro lugar velar por um progresso conveniente do latim, acrescentando-lhe ao léxico, se necessário, termos que se harmonizem com o gênio e a natureza própria desta língua. Ao mesmo tempo ele deverá ter cursos que ensinarão o latim das diferentes épocas, a começar pela época cristã. Tais cursos formarão seus alunos num conhecimento mais completo da língua latina, em seu emprego e na redação correta e elegante em latim. Serão franqueados aos futuros professores de língua latina dos seminários e colégios eclesiásticos, aos que se destinam a redigir os documentos e os arestos ou a correspondência das Congregações Romanas, das Cúrias Diocesanas, ou das Ordens Religiosas.
Como, de outra parte, a língua latina está muito intimamente ligada à grega por sua conformação natural e também pelo volume de escritos transmitidos pelos antigos, é necessário, como determinaram tantas vezes nossos Predecessores, que os futuros Ministros sagrados sejam iniciados nesta ultima desde o curso primário e nas escolas medias, a fim de que, chegando às disciplinas mais elevadas, e sobretudo se se candidatarem a graus universitários em Sagrada Escritura e em Teologia, tenham a possibilidade de recorrer não somente às fontes gregas da filosofia escolástica, mas também aos manuscritos mais antigos das Escrituras, da Liturgia e dos Santos Padres gregos, e de os compreender devidamente.
Aquela mesma Sagrada Congregação damos o mandato de preparar um método de ensino da língua latina que todos deverão seguir cuidadosamente, método cujo emprego deverá permitir que se adquira um bom conhecimento e o habito dessa língua. Caso necessário, as Assembleias dos Ordinários poderão modificar alguns pontos desse método, mas sem mudar-lhe a natureza, ou reduzir-lhe o essencial. E esses mesmo Ordinários não porão em execução os seus projetos sem ter levado ao conhecimento da Sagrada Congregação, e antes que esta os tenha aprovado.
Enfim, o que Nós estabelecemos, decretamos e mandamos por Nossa Presente Constituição, queremos, que por Nossa Autoridade Apostólica, que seja em tudo mantido firme e duradouro, não obstante qualquer disposição em contrário, mesmo digna de menção especial.

Dada em Roma, junto de São Pedro, no dia 22 de fevereiro de 1962, festa da Cátedra de São Pedro Apostolo, quarto ano de nosso Pontificado.

JOANNES PP. XXIII

Notas:

(1) Tertull., Apol. 21; Migne, PL 1, 394.
(2) Eph. 1, 10.
- Textus editus in AAS 54(1962) 129-35; et in L'Oss. Rom. 24 Febbr. 1962, p. 1-2.
(3) Epist. S. Congr. Stud. Vehementer sane, ad Ep. universos, 1 Iul. 1908: Ench. Cler., N. 820. Cfr etiam Epist. Ap. Pii XI, Unigenitus Dei Filius, 19 Mar. 1924: A.A.S. 16 (1924), 141.
(4) Pius XI, Epist. Ap. Offιciorum omnium, 1 Aug. 1922: A.A.S. 14 (1922), 452-453.
(5) Pius XI, Motu Proprio Litterarum latinarum, 20 Oct. 1924: A.A.S. 16 (1924), 417.
(6) Pius XI, Epist. Ap. Offιciorum omnium, 1 Aug. 1922: A.A.S. 14 (1922) 452.
(7) Ibidem.
(8) S. Iren., Adv. Haer. 3, 3, 2; Migne, PG 7, 848.
(9) Cfr C. I. C., can. 218, § 2.
(10) Cfr Pius XI, Epist. Ap. Offιciorum omnium, 1 Aug. 1922: A.A.S. 14 (1922), 453.
(11) Pius XII, Alloc. Magis quam, 23 Nov. 1951: A.A.S. 43 (1951) 737.
(12) LEO XIII, Epist. Encycl. Depuis le jour, 8 Sept. 1899: Acta Leonis XIII 19 (1899) 166.
(13) Cfr Collectio Lacensis, praesertim: vol. III, 1918s. (Conc. Prov. Westmonasteriense, a. 1859); vol. IV, 29 (Conc. Prov. Parisiense, a. 1849); vol. IV, 149, 153 (Conc. Prov. Rhemense, a. 1849); vol. IV, 359, 361 (Conc. Prov. Avenionense, a. 1849); vol. IV, 394, 396 (Conc. Prov. Burdigalense, a. 1850); vol. V, 61 (Conc. Strigoniense, a. 1858); vol. V, 664 (Conc. Prov. Colocense, a. 1863) ; vol. VI, 619 (Synod. Vicariatus Suchnensis, a. 1803).

(14) Ad Conventum internat. « Ciceronianis Studiis provehendis », 7 Sept. 1959; in Discorsi Messaggi Colloqui del Santo Padre Giovanni XXIII, I, pp. 234-235; cfr etiam Alloc. ad cives dioecesis Placentinae Romam peregrinantes habita, 15 Apr. 1959: L'Osservatore Romano, 16 apr. 1959; Epist. Pater misericordiarum, 22 Aug. 1961: A.A.S. 53 (1961), 677; Alloc. in sollemni auspicatione Collegii Insularum Philippinarum de Urbe habita, 7 Oct. 1961: L'Osservatore Romano, 9-10 Oct. 1961 Epist. Iucunda laudatio, 8 Dec. 1961: A.A.S. 53 (1961), 812.
(15) Pius XI, Epist. Ap. Offιciorum omnium, 1 Aug. 1922: A.A.S. 14 (1922), 453.
(16) Epist. S. C. Studiorum, Vehementer sane, 1 Iul. 1908: Ench. Cler., n. 821.
(17) Leo XII, Litt. Encycl. Providentissimus Deus, 18 Nov. 1893: Acta Leonis XIII, 13 (1893), 342; Epist. Plane quidem intelligis, 20 Maii 1885, Acta, 5, 63-64; Pius XII, Alloc. Magis quam, 23 Sept. 1951: A.A.S. 43 (1951), 737.


Convites de Missas na Forma Antiga do Rito Romano


Igreja de Nossa Senhora do Glória do Outeiro

Rio de Janeiro/RJ
Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro

Sábado 4 de Fevereiro de 2012,ás 9h:00,na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro,localizada na Praça Nossa Senhora da Glória,135-Glória- Rio de Janeiro/RJ.O Revmo.Pe.João Jefferson celebrará a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano,antes da celebração rezaremos o Santo Terço e o mesmo Revmo.Padre atenderá as confissões daqueles que desejarem.



Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e São Judas Tadeu



Nova Iguaçu/RJ

Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e S .Judas Tadeu


Data:4 de Fevereiro de 2012,ás 7:30

Local:Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e São Judas Tadeu

Endereço:Rua Taubaté,12-Rodilândia-Nova Iguaçu/RJ

Celebrante:Revmo.Pe.José Edilson de Lima

Contato:3046-1616


                      Paróquia Nossa Senhora Aparecida                         
*Créditos:Hernan Gouveia

São Gonçalo/RJ

Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Data: 4 de Fevereiro de 2012, às 8h:00

Local: Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Endereço: Rua Francisco Portela, 762 – Patronato – São Gonçalo

Celebrante: Revmo.Pe. Anderson Batista da Silva 

*Missa  + Terço diante do Santíssimo Sacramento + Benção do Santíssimo + Confissões e Reflexão Espiritual.



São José do Campos/SP

Data: 4 de Fevereiro de 2012 ,ás 12h:00

Local:Capela/Relicário do Pe.Rodolfo Komorek-Sagrada Família-São José dos Campos/SP.

Celebrante:Revmo.Pe.José Henrique.









Domingo 5 de Fevereiro de 2012


Rio de Janeiro/RJ


Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé

Centro/RJ

Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé 


Endereço:Rua Primeiro de Março-Centro-Rio de Janeiro/RJ



Horário:9h:00


Celebrante:Revmo.Monsenhor José de Matos

 Contato:(21) 2242-7766



Email:missatridentinario@hotmail.com
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Convento de Santa Teresinha 
* Créditos Patricia Rocha 
Sepetiba/RJ
Convento de Santa Teresinha


Endereço:Rua Bom Nome,130-Sepetiba-Rio de Janeiro/RJ



Horário:17h:00



Celebrante:Revmo.Monsenhor José de Matos



Contato:(21)3317-0056

Capela São José

Nova Iguaçu/RJ



Capela de São José

Endereço:Rua dos Teixeiras,s/n-Caiçara-Nova Iguaçu/RJ

Horário:7h:00

Celebrante:Revmo.Pe.José Edilson de Lima

Contato:3046-1616


Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e São Judas Tadeu


Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e S .Judas Tadeu


Endereço:Rua Taubaté,12-Rodilândia-Nova Iguaçu/RJ

Horário:9h:30

Celebrante:Revmo.Pe.José Edilson de Lima

Contato:3046-1616

Paroquia dos Sagrados Corações

Niteroi/RJ

Paroquia dos Sagrados Corações

Endereço:Vila Pereira Carneiro - Ponta d'Areia (Próximo ao Mercado dos peixes)
Horário:10h:00

Celebrante:Revmo.Pe. Demétrio Gomes
Contato: (21) 8556-7100  (21) 2610-7819
http://juventutemniteroi.wordpress.com/




Igreja de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro


*Creditos:Patricia Rocha
Volta Redonda/RJ
Igreja de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro


Endereço:Rua Miguel Couto-Jardim Amália-Volta Redonda/RJ



Horário:19:00


Celebrante:Revmo.Pe.José Edilson de Lima










quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Santa Missa na História e na Mística - Paramentando-se.





PARAMENTANDO-SE

1.       O amicto.
2.       A alva.
3.       O cíngulo.
4.       O manípulo;
5.       A estola.
6.       A casula.
7.       A dalmática.

O sacerdote é no altar o substituto e representante de Jesus Cristo. Para apresentar-se dignamente diante de Deus Pai, e da Corte Celeste, deve trazer na alma o ornamento das virtudes daquele que representa.
O sacerdote deverá apresentar-se diante do Pai celeste como um outro Jacó diante de Isaac, vestido das vestes de Esaú, o primogênito. Exultará Deus por aquela fragrância que se desprenderá do coração de seu Filho primogênito e unigênito, oculta debaixo das vestes desde sacerdote. Manda a Igreja, qual outra Rebeca, vestir o sacerdote de vestes não suas, como para atrair sobre si, por esta piedosa fraude, a complacência divina, e tornar o sacrifício incruento da santa Missa aceito a Deus Pai.
Quão pequeno e ao mesmo tempo quão grande é o sacerdote; nada em si, tudo em Jesus! Nisto pensando, vai se paramentando; e a cada paramento que enverga novas ideias lhe ocorrem. Ouçamo-lo!

1.       O amicto.

A primeira peça, que o sacerdote veste, é o amicto. Beija-o; lança-o sobre aos ombros, descansa-o por um momento na cabeça; fixa-o em volta do pescoço; deixa-lhe as extremidades caírem pelas espáduas, e segura-as em seguida com duas longas fitas, em volta dos rins, enquanto diz: “Ponde-me na cabeça, Senhor, o elmo da salvação para que repila os assaltos do demônio”.

*  *  *

O amicto é de origem muito antiga, comum aos clérigos e leigos. Estes, porém, o abandonaram, e Roma o adotou. Era então o amicto desdobrado não pr baixo, mas por cima da alva, como peça litúrgica, e prescreve seu uso a partir do século XI. Ainda o prescreve o rito ambrosiano.
Cinge-se com o amicto o pescoço, para significar segundo Amalário, a moderação que se deve ter no uso da voz, visto que esta se localiza na garganta: “Collum undique cingimos, quia vox in collo est”. Esta é de fato a idéia que expressa ainda hoje o bispo, quando, na ordenação do subdiácono, diz, impondo-lhe o amicto: “Recebe o amicto, símbolo da moderação na voz”.
Se perguntarmos por que descansa o amicto por um momento na cabeça, respondemos que foi uso já antes do século XI cobrir primeiro a cabeça, da qual se tirava só depois de se tem envergado todos os mais paramentos, que o amicto deveria cobrir. Posto que fosse isto de direito exclusivo dos papas a partir do século XII até XVI, estava em uso também entre os simples sacerdotes de alguns lugares, que se cobriam cm ele a cabeça durante certa parte da Missa. Deste uso originou-se o sentido místico dado ao amicto. Chamaram-no de – “galea salutis” – elmo da salvação.
Belo sentido místico tem ele! Bem necessário é ao sacerdote este elmo da salvação. Agarre-se ele a este símbolo da verdadeira esperança cristã!
Elmo de aço, capacete inamolgável, quanto és necessário ao ministro e batalhador da causa de Deus! É justamente contra o sacerdote que o demônio arma e assesta de preferência sua formidável bateria para arrancar-lhe da alma a paz, e do coração a coragem. Protege-o, ó – “galea salutis”.

2.       A alva.

Vestido o amicto, enverga a alva, veste talar qual fora prescrita por Deus aos sacerdotes descendentes de Aarão. É geralmente tecida de linho. Comforma-se assim melhor com as vestes que São João viu em sua visão e descreve: “E foi-lhe dado vestir-se de finíssimo linho, resplandecente e branco” (Apoc 19, 8). A alva representa, no seu lavor como na sua brancura, a justiça e a inocência conquistadas mediante as tribulações padecidas em união com Cristo: “E este linho fino são as virtudes dos Santos” (Apoc 19, 8). “Esses lavaram seus vestidos e os embranqueceram no sangue do Cordeiro” (Apoc 7, 14).
Os ministros da Igreja primitiva andavam sempre vestidos com essa alva, também fora das funções litúrgicas. Os neófitos e os néo-batizados vestiam-se na oitava da pascoela e a depunham no sábado seguinte, que por isso chamava “in albis”, donde vem o nome da veste: “alva”.

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Veste veneranda, o sacerdote te compreende! É com júbilo que reza, vestindo-te: “Lavai-me, Senhor, e purificai-me o coração, para que, lavado no sangue do Cordeiro, mereça o gozo das eternas alegrias”.
É o emblema da inocência; símbolo do homem vencedor das paixões desregradas, digno, em sua inocência, que se apresente ante a pureza infinita!
Diz o Senhor: “Quem for vencedor, será vestido de alvas vestes; não serei eu quem lhe apagará o nome do Livro da vida; confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante de seus anjos”.

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3. O cíngulo.

Pega depois o cíngulo, corda de certo comprimento que serve para estreitar a alva em volta dos flancos assim que a sua amplitude não impeça no desempenho das suas funções religiosas.
O cíngulo é de origem muito antiga, e com ele cingiam, então, todos os que gozavam ou queriam gozar do bom nome e da boa reputação, pois simbolizava o recato, a continência, a probidade; é por isso prescrito já no primeiro “Ordo Romanus’, como peça que deve fazer parte das vestes eclesiásticas.
E cingindo-se os rins com este cíngulo, reza: “Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui em mim as chamas da volúpia, para que reine em mim a virtude da continência e da castidade”.
Cíngulo, cinge os rins dos sacerdotes, para que tenham sempre presente a necessidade da mortificação, que lhes assegura e garante a inocência da vida! Sem se mortificar não são e não podem ser Ministros do Crucificado, porque quem quer ser de Cristo crucifica a carne com seus vícios e concupiscências.

3.       O manípulo.

 Enfia, ao depois, no braço esquerdo o manípulo. Sua origem, além de remotíssima, é interessante. Usavam-no os Cônsules Romanos por ocasião da inauguração dos jogos no circo. Depois que o cristianismo entrou em Roma, e criou nela raízes, as estátuas e monumentos cristãos, que simbolizavam o Salvador e a Santíssima Virgem, eram distinguidas das mais pelo manípulo. Logo vê-se nele um sinal de respeito todo peculiar prestado a Jesus e a Maria.
As personagens distintas, em ocasiões de darem ou receberem presentes, levavam o manípulo ricamente trabalhado. As estátuas ou imagens destas personagens são representadas com o manípulo sobre o braço esquerdo. No primeiro “Ordo Romanus”, é prescrito como insígnia de autoridade: tem-no o subdiácono desdobrado sobre o braço direito na ocasião de dirigir a “Schola Cantorum”.
De Moléon (1718) aventou a ideia de que i manípulo teria servido de lenço para enxugar o suor: daí o nome “sudarium”. Dele se serviam os rapazes que, na abadia de Cluni, cantavam no coro; como também durante o mesmo ofício, dele usavam os rapazes de São João de Lyon. Estes seguravam-no entre os dedos da mão esquerda.
Isto parece sugerir a ideia de que a finalidade do manípulo fora sempre qual é hoje a dos lenços. Mas, por serem estes casos esporádicos, parece ser mais aceitável a ideias dos manípulos, em sua origem, eram verdadeiros distintivos de nobreza e autoridade, sendo que consta, com toda a certeza, que eram levados pelos clérigos “in sacris”, e só durante a Missa, desde o século X.
Entretanto, assim uma como outra ideia pode ser interpretada pela oração que a Igreja põe na boca do sacerdote ao introduzir-lhe no braço o manípulo: “Possa eu tornar-me digno, Senhor, de carregar o manípulo das lágrimas e da dor, para que receba na glória o prêmio dde minhas fadigas”.

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Manípulo, em ti vêem os sacerdotes um símbolo do zelo que os deve assinalar. Relembras-lhe, sempre que se encaminham ao altar, a resolução tomada no dia de sua ordenação, a de se entregarem e imolarem em prol das almas! Relembra-lhes a autoridade e o poder, que lhes foram conferidos, i. é, de renovar o sacrifício do Calvário. Este reclama deles, todas as manhãs, a abnegação do zelo sacerdotal.
5.  A Estola.
Depois do manípulo vem a vez da de pendurar ao pescoço, peito abaixo, e cruzar sobre o mesmo a estola. Interessante a sua origem! As pessoas de posição e abastadas usavam originariamente um rico tecido de linho pendente do pescoço para com ele enxugar o rosto. Deste pano, chamado orarium (do latim, os= boca, rosto), usavam mais tarde os que falavam em público; por isso tornou-se ele, aos poucos, nas igrejas, o ornamento dos bispos, dos padres e dos diáconos; daí quererem alguns derivar a origem do “orarium”, de “orator” = pregador; daí o costume de subirem ainda hoje, os pregadores ao púlpito com a estola.
É certo que primitivamente caía a estola direito por trás e pela frente. Passou-se depois a cruzá-la sobre o peito e até a firmá-la cruzada debaixo do braço direito.
A Igreja conserva ainda hoje três modos de levar a estola. O bispo observa primeiro, o sacerdote o segundo e o diácono o terceiro.

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Pelo que representas e simbolizas, ó estola, te vestem os sacerdotes com amor, enquanto formulam a súplica: “Restituí-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi com a prevaricação do primeiro pai; e, posto que indigno de me aproximar do vosso santo ministério, mereça gozar das eternas delícias”. És o símbolo da imortalidade! Recordas a glória e a sublimidade dos Mistérios sagrados e divinos que transportam os sacerdotes à glória da majestade de Deus, que os levam ao Sacerdote Eterno, Jesus Cristo!
Mantém-nos, estola, durante o tempo da celebração, nestas alturas, sem o que, não poderemos participar condignamente do sacrifício eterno, do único e imortal Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedec!

6.  A Casula.

Vem a vez de envergar a casula (casa pequena, chamada pelos gregos de “planeta”) peça não fixa, mas móvel. A casula primitiva assemelhava-se bastante a uma pequena casa, em que parecia estar encerrado o sacerdote. A sua forma redonda permitia o giro fácil em redor do pescoço.
É a antiga “paenula” derivado de “pannus”, vestimenta de uso universal, vestida em toda parte e por todos.
Pelo fim do século IV tornou-se mais o hábito próprio e cotidiano dos senadores; e aos poucos passou a ser veste exclusiva dos sacerdotes ou ministros do culto divino.
Santo Ambrósio é representado em um mosaico do século V vestido da “paenula”, mosaico que se encontra na capela de São Sátiro em Milão.
Para ter livres as mãos, o sacerdote recolhia a casula dos braços aos ombros; na elevação o diácono soerguia-a por detrás, para que o celebrante fosse mais desimpedido em seus movimentos, ato este, ainda hoje em uso, posto que de nenhuma finalidade prática.
Desde o século XV foi-se-lhe cortando parte do que cobria os braços, assim que veio tomando imperceptivelmente a forma atual, que muito pouco se assemelha àquela primitiva. Só a “gótica” relembra mais de perto o que fora a casula primitiva.
Os diáconos e subdiáconos, hoje como então, só podem envergar a casula em determinadas missas, por exemplo, nas do advento e a quaresma.
Como outrora, os diáconos e subdiáconos, quando em serviços mais direto entre o povo, assim hoje o padre que quer, tira a casula quando prega, para que, segundo o dito antigo: “succintus et expeditus sine multa veste”, possa fazer seus movimentos.
Seja dito de passagem que também os acólitos vestiam antigamente a casula. Com estes conhecimentos, os sacerdotes compreendiam melhor a significação da prece que a Igreja aconselha rezar, enquanto envergam a casula: “Senhor, Vós que dissestes: - O meu jugo é suave e o meu fardo leve, - fazei com que eu possa carregar a fim de obter a vossa graça!”

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Casula, os sacerdotes te invocam como o símbolo de caridade, emblema de amor de Deus e do próximo! Imolando eles a Vítima divina, esforçar-se-ão no futuro, mais do que no passado, por tornarem-se santos, a fim de tornar santos os outros.
A santidade é o fruto da caridade; mas a caridade é cumprimento dos preceitos divinos; e estes são o jugo e o fardo que se propõem carregar, quando envergam a casula!
Paramentam-se agora o diácono, o subdiácono e os acólitos.
O diácono e o subdiácono são ministros, servos, ajudantes que servem o sacerdote no altar.
O diaconato e o subdiaconato são as duas Ordens chamadas Maiores para se distinguirem das Menores, que são os ostiariato, leitorato, exorcistato e acolitato.
O diaconato foi considerado desde o princípio como ordem maior, não assim o subdiaconato, que recebeu foros de ordem maior só no século XIII, debaixo do imortal Inocêncio III. São, porém, ambas, ordens muito antigas; delas falam os Padres e lhes exalçam a dignidade, sem todavia especificá-las pelo seu valor intrínseco.
O ofício próprio do diácono é cantar o santo Evangelho e servir o sacerdote no altar. Antigamente, quando os sacerdotes eram pouco numerosos, incumbiam-se os diáconos de outras funções mais importantes, hoje reservados ao sacerdote: eles batizavam, distribuíam a santa comunhão, o que se lhes concede ainda hoje em certos casos raros.
O subdiácono canta a Epístola e serve diretamente ao diácono, indiretamente ao sacerdote, no que se refere ao santo Sacrifício. São estes dois ministros do Sacerdote, em virtude do seu ofício, revestidos de dignidade extraordinária. É a eles que se permite chegar mais perto do Santo dos Santos; são os que representam no altar os fiéis e respondem em nome deles.

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Como disse, paramentam-se: o diácono leva manípulo, mas só durante a santa Missa e no ofício da sexta-feira santa e sábado santo; põe estola, que, ao invés do sacerdote, cruza, não sobre o peito, mas sob o braço direito. Em vez de casula enverga dalmática. Dos mesmos paramentos, menos a estola, se veste o subdiácono.

7. A dalmática.

A dalmática é, com poucas variantes, a tunicela dos antigos romanos, veste comprida, de mangas, antes estreitas que largas, que se sobrepunha à alva; mas não logrou generalizar-se na liturgia.
A dalmática, originária da Dalmácia (donde lhe vem o nome) entrou em uso litúrgico já no  século II do cristianismo. Era mais comprida que a tunicela e muito ampla. As mangas mais largas, porém fechadas, como as da tunicela. Mais tarde se abriram as mangas da dalmática e da tunicela. Eram mangas curtas; pois não ultrapassavam os cotovelos.
Vestia-se então a dalmática por sobre a tunicela, como hoje ainda o faz o bispo ao celebrar pontificalmente. Até os imperadores envergavam este hábito. Como paramento sagrado, a dalmática foi primeiramente reservada aos Bispos. São Silvestre, no século IV, a concedeu também aos diáconos; e não tardou que se tornasse paramento exclusivo deles. Chama-se na liturgia a veste da justiça – “dalmática justitiae”.

8.       A sobrepeliz.

Estes rapazes, vestidos de batina e sobrepeliz, são os ajudantes da Missa ou acólitos. A dignidade e a honra destes se colhem do ofício que exercem.
Os acólitos são anjos, se o sacerdote é Cristo. Devem servir ao celebrante, como os anjos servem a Deus.
Os acólitos são indispensáveis na celebração da santa Missa. O sacerdote que celebre sem ajudante, fora do caso de séria necessidade, peca gravemente.

9.       A capa de asperges.

O acólito deverá ser clérigo. Em sua origem o acolitante era o diácono. Só por falta de diáconos é que passou a qualquer clérigo este ofício e na falta deste a qualquer leigo.
Está claro que só uma pessoa do sexo masculino é permitido ajudar o celebrante no altar.
Uma senhora, em caso de urgente necessidade, poderá, quando muito, responder a celebrante as orações, mas atrás da mesa da comunhão; não lhe sendo nunca permitido servir ao celebrante no altar. É prescrito um acólito nas missas simples, dois nas solenes.
Homens de pouca fé são os que se negam a ajudar à santa Missa.

10.   O barrete.

O barrete estava em uso já no século XII; sua forma atual é do século XVI.

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