sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Latim, Língua da Igreja



 
IOANNES PP. XXIII
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUAM REI MEMORIAM
CONSTITUTIO APOSTOLICA
VETERUM SAPIENTIA

DE LATINITATIS STVDIO PROVEHENDO



A sabedoria antiga contida na literatura dos gregos e dos romanos e os preclaros ensinamentos que remanescem dos povos de outrora devem ser considerados como uma aurora que deixa prever a verdade que o Filho de Deus, árbitro e Mestre da Graça e da disciplina, Luz e Guia do Gênero humano (1), veio anunciar sobre a terra. De fato, os Padres e os doutores da Igreja reconheceram nas lembranças mais importantes dos tempos antigos, uma certa preparação das almas para que elas estivessem em condições de receber as riquezas sobrenaturais que Jesus Cristo, na plenitude dos tempos (2), comunicou aos mortais. E daí se vê claramente que a instauração da ordem cristã se fez sem que se perdesse nada daquilo que os séculos passados tinham produzido de verdadeiro, justo, nobre e belo.

Por disposição divina, língua própria da Santa Sé.

Assim a Igreja prestou homenagem a esses testemunhos da sabedoria, e primeiramente às línguas grega e latina que tinham revestido essa sabedoria de uma como indumentária de ouro. Ademais, Ela aceitou o uso de outras línguas veneráveis que floresciam no oriente, dado que essas línguas certamente contribuíam, também elas, em larga medida para o progresso humano e a educação dos costumes. E tais idiomas permaneceram até hoje em uso, em certas regiões, para as cerimônias litúrgicas e a interpretação das Sagradas Escrituras, como expressão de uma voz antiga, ainda hoje vivaz e nunca interrompida.
Entre essas diversas línguas se distingue a que nasceu no Lacio e em seguida se desenvolveu extraordinariamente para difundir o nome cristão no Ocidente. E não foi sem disposição divina que essa língua, que durante séculos tinha congregado a mais vasta associação de nações sob a autoridade do império romano, se tornou a língua própria da Sé Apostólica (3) e foi assim conservada para a posteridade, reunindo os povos cristãos da Europa por “um estreito laço de unidade”.
Realmente, por sua própria natureza, a língua latina se adapta perfeitamente a promover em todos os povos toda civilização, porque não suscita inveja, se apresenta igual a si mesma perante cada nação, não favorece nenhuma destas, e é em consequência acolhida por todos como amiga. Cumpre não desprezar tão pouco o fato de que o latim possui uma contextura e uma propriedade de expressão de todo nobre. Sim, é uma língua concisa, rica, harmoniosa, cheia de majestade e de dignidade (4), que convém de modo particular à limpidez e à gravidade.
Qualidades conformes à natureza da Igreja.

É por essas razões que a Sé Apostólica se empenhou sempre em conservar cuidadosamente a língua latina e consideru-a digna de ser utilizada por ela no exercício de seu magistério, como uma vestimenta magnífica da doutrina celeste e das leis santíssimas (5), ao mesmo tempo que julgou conveniente que os ministros sagrados a empregassem. E, com efeito, os eclesiásticos de todos os países podem, graças ao conhecimento da língua de Roma, ser informados mais rapidamente e mais exatamente de tudo o que depende da Santa Sé, e ter com esta, bem como entre si, relações mais fáceis.
Esta língua tão intimamente ligada à vida da igreja, é mais por motivos religiosos mesmo, do que pelas razões de cultura literárias, que importa conhece-la e pratica-la (6), como Nosso Predecessor de imortal memória, Pio XI nos adverte. Ele que tinha estudado a questão de modo racional e metódico, mostrou que essa língua possui três qualidades que convém admiravelmente à natureza da Igreja: E, com efeito, a Igreja, para abraçar todas as nações e para permanecer Ela mesma até o fim dos séculos... tem necessidade de uma língua que, por sua própria natureza, seja universal, seja imutável e não seja vulgar (7).
Língua universal.

Como é necessário que todas as Igrejas estejam de acordo (8) com a Igreja de Roma, por isso que os Soberanos Pontífices têm um verdadeiro poder episcopal, ordinário e imediato, quer sobre todas as Igrejas em conjunto e sobre cada uma delas, quer sobre o conjunto dos Pastores e dos fiéis, bem como sobre cada um deles (9), qualquer que seja seu rito, sua nação ou sua língua, - é evidentemente de toda a conveniência que o instrumento de suas relações recíprocas seja universal e idêntico em todas as circunstancias, e isso sobretudo no que diz respeito a Sé Apostólica e as Igrejas que utilizam o mesmo rito latino. Assim, os Romanos Pontífices, quando querem dar um ensinamento aos povos católicos, as Congregações da Cúria Romana, ao terem de tratar algum negócio ou redigir um decreto concernente à universalidade dos fiéis, utilizam igualmente a língua latina: é como se nações inumeráveis acolhessem a voz de sua própria Mãe.
Língua Imutável.

A língua empregada pela Igreja deve ser, não apenas universal, mas ainda invariável. Se as verdades da Igreja Católica fossem confiadas a línguas modernas, mais ou menos numerosas, das quais nenhuma teria mais autoridade que as outras, resultaria daí, evidentemente, que o valor dessas verdades não apareceria a todos suficientemente caracterizado nem bastante preciso, na verdade que elas apresentam, desde que não existiria nenhuma norma comum e estável à qual se pudesse comparar as expressões das outras línguas. Na realidade, o latim, protegido de ora avante de todas as variações que o emprego cotidiano inflige, ordinariamente, ao sentido das palavras, deve ser tido por fixado e invariável. De resto, os significados novos que o progresso, a explicação e a defesa das doutrinas cristãs têm exigido, estão também eles de há muito determinados e fixados.
Língua vulgar, ou nobremente majestosa?

Finalmente, a Igreja católica, porque fundada por Cristo Senhor, sobrepuja em dignidade a todas as outras, e por isso mesmo convêm que Ela utilize uma língua que seja, não vulgar, mas marcada por uma nobre majestade.
Tesouro incomparável e chave de tradição.

Ademais, a língua latina – que podemos verdadeiramente chamar católica (10), pois está consagrada pelo uso constante da cátedra Apostólica, a qual bem merece ver se lhe atribuem os nomes de mãe e Mestra de todas as Igrejas – essa língua latina deve ser considerada como um tesouro... de uma magnífica superioridade (11), como a porta que dá acesso às verdades cristãs recebidas desde a antiguidade e à interpretação dos documentos do Magistério Eclesiástico (12). E, por fim, como o laço mais eficaz que liga maravilhosamente a época atual da Igreja à do passado e à do futuro.
Eficácia formativa do latim.

Ninguém, na verdade, põe em dúvida que a língua dos romanos e as letras clássicas possuem uma qualidade reputada inteiramente própria para ensinar e modelar o espírito maleável dos adolescentes. Esta qualidade particular torna-a apta a aperfeiçoar as faculdades superiores do espírito e do coração. Ela aguça a vivacidade do espírito e o vigor do julgamento, permite que a inteligência das crianças se fortaleça e se torne capaz de abraçar e de pesar exatamente todas as coisas. Enfim, ela oferece a vantagem de possibilitar uma formação superior na arte do raciocínio e das palavras.
Para que não se tornem frios como as máquinas.

Refletindo sobre todas essas qualidades, compreende-se que os Romanos Pontífices tenham louvado o valor e a superioridade do idioma latino, e mais ainda que eles tenham prescrito aos ministros do Clero secular e regular o estudo e o emprego do latim, denunciando os perigos que há em negligencia-lo.
E os sérios motivos que determinaram Nossos Predecessores e diversos Sínodos Provinciais (13) Nos levaram, também a Nós, a querer firmemente envidar esforços para a promoção do estudo e do emprego dessa língua, depois de lhe ter restituído toda a dignidade que ela merece. Em muitos lugares começou-se em nossos dias a pôs em discussão o uso da língua de Roma, e bom número de pessoas pergunta qual é o pensamento da Sé Apostólica a esse respeito: por isso decidimos publicar esse documento, que reputamos importante e que fará conhecer as diretrizes pelas quais entendemos prover a que o uso antigo e ininterrupto seja mantido, bem como seja restabelecido onde tiver quase caído em dessuetude.
De resto, julgamos ter já expresso bastante claramente Nosso pensamento, quando dissemos a ilustres latinistas: Ah! Muitos, cativados desmedidamente pelos espantosos progressos técnicos, ousam rejeitar ou reduzir os estudos latinos e as disciplinas análogas...
Nós, pelo contrário, sob o império mesmo dessa necessidade, pensamos que é preciso seguir o caminho inverso. Pois se o que é mais conforme à natureza e à dignidade do homem é que se fixa no espírito, cumpre procurar com mais ardor aquilo que poderá cultivar e ornar o espírito, de receio de que os pobres mortais se tornem, à imagem das maquinas que eles constroem, frios, duros e sem amor (14).

Normas Práticas.

Tendo pois considerado e maduramente pesado tudo isso, na plena consciência e pela autoridade de Nosso cargo, estabelecemos e ordenamos quanto segue:
Os Bispos e os superiores maiores da Ordens Religiosas se apliquem tanto quanto for necessário, a que em seus seminários e escolas que preparam os jovens para o Sacerdócio, todos se submetam à vontade da Sé Apostólica neste particular, e obedeçam conscienciosamente às prescrições que Nós damos.
Velem com solicitude paternal por que nenhum dos seus jurisdicionados, impelido pelo desejo da novidade, escreva contra o emprego da língua latina, quer no ensino das disciplinas sagradas mais elevadas, quer na celebração dos ritos sacros, e de um preconceito, minimize ou interprete mal a vontade da Sé Apostólica nesta matéria.
Segundo as prescrições do Código de Direito Canônico (Can. 1364) e as de Nossos Predecessores, os aspirantes ao sacerdócio, antes de empreenderem os estudos propriamente eclesiásticos, devem ser formados na língua latina por mestres plenamente competentes, segundo um método adequado, e consagrando a ela o tempo conveniente. E tal coisa é ordenada de receio de que mais tarde, quando tiverem chegado às disciplinas superiores..., a ignorância da língua lhes torne impossível adquirir a plena inteligência dos ensinamentos e, mais ainda, exercitar-se nos debates escolásticos, que aguçam tão bem as inteligências jovens para defender a verdade (15). Queremos que isto seja válido mesmo para os que chamamos tardiamente a preparar-se para os sagrados encargos, não tenham feito estudos clássicos, ou os tenham feito insuficientemente. Não se deve, com efeito, admitir aos cursos de filosofia e teologia quem quer que não tenha sido instruído pena e perfeitamente nessa língua, e não tenha sido preparado para utiliza-la.
Se em algum lugar, em virtude de uma assimilação dos programas aos das escolas públicas, se tiver suprimido algo do estudo da língua latina, em detrimento de um ensino sadio e sólido, julgamos que a ordem tradicional do ensino desta língua deve ser absolutamente restabelecida. Pois todos devem estar persuadidos de que, mesmo neste ponto, é necessário observar escrupulosamente o método de formação dos aspirantes ao Sacerdócio, não só no que concerne ao número e ao gênero das matérias ensinadas, mas também quanto ao tempo que se deve consagrar a elas. E se exigirem o acréscimo de matérias estranhas às comumente requeridas, será preciso prolongar o curso de estudos, ou então limitar a parte dessas disciplinas estranhas, ou ainda transferir o estudo para outra ocasião.
As matérias principais do ensino eclesiástico, como tantas vezes foi prescrito, devem ser tratadas em latim. Esta língua, sabemo-lo pelo uso de muitos séculos, é considerada a mais apta para explicar om exatidão, facilidade e perspicácia, a natureza das coisas e as noções mais difíceis e mais sutis (16); o fato de que ela já está enriquecida de termos próprios e fixados, capazes de manter a integridade da fé, a torna soberanamente apta a suprimir uma vã prolixidade. Em consequência, os que ensinam estas matérias nos institutos e seminários são obrigados a falar em latim. E se algum destes, por ignorância da língua latina, não forem aptos a aplicar essas prescrições da Santa Sé, deverão ser progressivamente substituídos por mestres que tenham esta capacidade. Na verdade, quanto as dificuldades que provierem dos estudantes ou dos professores, será necessário suplanta-las graças à constância dos Bispos e ao bom espírito dos Mestres.
Posto que o latim é a língua viva da Igreja, deve poder satisfazer às necessidades dia a dia mais numerosas da palavra e, portanto, deve ser dotado de vocábulos adequados, de um modo que convenha universalmente e que respeite a homogeneidade da língua latina antiga, - modo que os Santos Padres e os escritos escolásticos puseram em prática. Por isso damos mandado à sagrada Congregação dos Seminários e Universidades para prover à constituição de um Instituto Acadêmico do Latim. Este instituto deverá reunir um corpo de mestres exímios nas línguas latina e grega, escolhidos no mundo inteiro. Como o fazem as Academias de certos países, encarregadas de promover a língua nacional, caberá a este instituto em primeiro lugar velar por um progresso conveniente do latim, acrescentando-lhe ao léxico, se necessário, termos que se harmonizem com o gênio e a natureza própria desta língua. Ao mesmo tempo ele deverá ter cursos que ensinarão o latim das diferentes épocas, a começar pela época cristã. Tais cursos formarão seus alunos num conhecimento mais completo da língua latina, em seu emprego e na redação correta e elegante em latim. Serão franqueados aos futuros professores de língua latina dos seminários e colégios eclesiásticos, aos que se destinam a redigir os documentos e os arestos ou a correspondência das Congregações Romanas, das Cúrias Diocesanas, ou das Ordens Religiosas.
Como, de outra parte, a língua latina está muito intimamente ligada à grega por sua conformação natural e também pelo volume de escritos transmitidos pelos antigos, é necessário, como determinaram tantas vezes nossos Predecessores, que os futuros Ministros sagrados sejam iniciados nesta ultima desde o curso primário e nas escolas medias, a fim de que, chegando às disciplinas mais elevadas, e sobretudo se se candidatarem a graus universitários em Sagrada Escritura e em Teologia, tenham a possibilidade de recorrer não somente às fontes gregas da filosofia escolástica, mas também aos manuscritos mais antigos das Escrituras, da Liturgia e dos Santos Padres gregos, e de os compreender devidamente.
Aquela mesma Sagrada Congregação damos o mandato de preparar um método de ensino da língua latina que todos deverão seguir cuidadosamente, método cujo emprego deverá permitir que se adquira um bom conhecimento e o habito dessa língua. Caso necessário, as Assembleias dos Ordinários poderão modificar alguns pontos desse método, mas sem mudar-lhe a natureza, ou reduzir-lhe o essencial. E esses mesmo Ordinários não porão em execução os seus projetos sem ter levado ao conhecimento da Sagrada Congregação, e antes que esta os tenha aprovado.
Enfim, o que Nós estabelecemos, decretamos e mandamos por Nossa Presente Constituição, queremos, que por Nossa Autoridade Apostólica, que seja em tudo mantido firme e duradouro, não obstante qualquer disposição em contrário, mesmo digna de menção especial.

Dada em Roma, junto de São Pedro, no dia 22 de fevereiro de 1962, festa da Cátedra de São Pedro Apostolo, quarto ano de nosso Pontificado.

JOANNES PP. XXIII

Notas:

(1) Tertull., Apol. 21; Migne, PL 1, 394.
(2) Eph. 1, 10.
- Textus editus in AAS 54(1962) 129-35; et in L'Oss. Rom. 24 Febbr. 1962, p. 1-2.
(3) Epist. S. Congr. Stud. Vehementer sane, ad Ep. universos, 1 Iul. 1908: Ench. Cler., N. 820. Cfr etiam Epist. Ap. Pii XI, Unigenitus Dei Filius, 19 Mar. 1924: A.A.S. 16 (1924), 141.
(4) Pius XI, Epist. Ap. Offιciorum omnium, 1 Aug. 1922: A.A.S. 14 (1922), 452-453.
(5) Pius XI, Motu Proprio Litterarum latinarum, 20 Oct. 1924: A.A.S. 16 (1924), 417.
(6) Pius XI, Epist. Ap. Offιciorum omnium, 1 Aug. 1922: A.A.S. 14 (1922) 452.
(7) Ibidem.
(8) S. Iren., Adv. Haer. 3, 3, 2; Migne, PG 7, 848.
(9) Cfr C. I. C., can. 218, § 2.
(10) Cfr Pius XI, Epist. Ap. Offιciorum omnium, 1 Aug. 1922: A.A.S. 14 (1922), 453.
(11) Pius XII, Alloc. Magis quam, 23 Nov. 1951: A.A.S. 43 (1951) 737.
(12) LEO XIII, Epist. Encycl. Depuis le jour, 8 Sept. 1899: Acta Leonis XIII 19 (1899) 166.
(13) Cfr Collectio Lacensis, praesertim: vol. III, 1918s. (Conc. Prov. Westmonasteriense, a. 1859); vol. IV, 29 (Conc. Prov. Parisiense, a. 1849); vol. IV, 149, 153 (Conc. Prov. Rhemense, a. 1849); vol. IV, 359, 361 (Conc. Prov. Avenionense, a. 1849); vol. IV, 394, 396 (Conc. Prov. Burdigalense, a. 1850); vol. V, 61 (Conc. Strigoniense, a. 1858); vol. V, 664 (Conc. Prov. Colocense, a. 1863) ; vol. VI, 619 (Synod. Vicariatus Suchnensis, a. 1803).

(14) Ad Conventum internat. « Ciceronianis Studiis provehendis », 7 Sept. 1959; in Discorsi Messaggi Colloqui del Santo Padre Giovanni XXIII, I, pp. 234-235; cfr etiam Alloc. ad cives dioecesis Placentinae Romam peregrinantes habita, 15 Apr. 1959: L'Osservatore Romano, 16 apr. 1959; Epist. Pater misericordiarum, 22 Aug. 1961: A.A.S. 53 (1961), 677; Alloc. in sollemni auspicatione Collegii Insularum Philippinarum de Urbe habita, 7 Oct. 1961: L'Osservatore Romano, 9-10 Oct. 1961 Epist. Iucunda laudatio, 8 Dec. 1961: A.A.S. 53 (1961), 812.
(15) Pius XI, Epist. Ap. Offιciorum omnium, 1 Aug. 1922: A.A.S. 14 (1922), 453.
(16) Epist. S. C. Studiorum, Vehementer sane, 1 Iul. 1908: Ench. Cler., n. 821.
(17) Leo XII, Litt. Encycl. Providentissimus Deus, 18 Nov. 1893: Acta Leonis XIII, 13 (1893), 342; Epist. Plane quidem intelligis, 20 Maii 1885, Acta, 5, 63-64; Pius XII, Alloc. Magis quam, 23 Sept. 1951: A.A.S. 43 (1951), 737.


Convites de Missas na Forma Antiga do Rito Romano


Igreja de Nossa Senhora do Glória do Outeiro

Rio de Janeiro/RJ
Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro

Sábado 4 de Fevereiro de 2012,ás 9h:00,na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro,localizada na Praça Nossa Senhora da Glória,135-Glória- Rio de Janeiro/RJ.O Revmo.Pe.João Jefferson celebrará a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano,antes da celebração rezaremos o Santo Terço e o mesmo Revmo.Padre atenderá as confissões daqueles que desejarem.



Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e São Judas Tadeu



Nova Iguaçu/RJ

Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e S .Judas Tadeu


Data:4 de Fevereiro de 2012,ás 7:30

Local:Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e São Judas Tadeu

Endereço:Rua Taubaté,12-Rodilândia-Nova Iguaçu/RJ

Celebrante:Revmo.Pe.José Edilson de Lima

Contato:3046-1616


                      Paróquia Nossa Senhora Aparecida                         
*Créditos:Hernan Gouveia

São Gonçalo/RJ

Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Data: 4 de Fevereiro de 2012, às 8h:00

Local: Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Endereço: Rua Francisco Portela, 762 – Patronato – São Gonçalo

Celebrante: Revmo.Pe. Anderson Batista da Silva 

*Missa  + Terço diante do Santíssimo Sacramento + Benção do Santíssimo + Confissões e Reflexão Espiritual.



São José do Campos/SP

Data: 4 de Fevereiro de 2012 ,ás 12h:00

Local:Capela/Relicário do Pe.Rodolfo Komorek-Sagrada Família-São José dos Campos/SP.

Celebrante:Revmo.Pe.José Henrique.









Domingo 5 de Fevereiro de 2012


Rio de Janeiro/RJ


Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé

Centro/RJ

Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé 


Endereço:Rua Primeiro de Março-Centro-Rio de Janeiro/RJ



Horário:9h:00


Celebrante:Revmo.Monsenhor José de Matos

 Contato:(21) 2242-7766



Email:missatridentinario@hotmail.com
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Convento de Santa Teresinha 
* Créditos Patricia Rocha 
Sepetiba/RJ
Convento de Santa Teresinha


Endereço:Rua Bom Nome,130-Sepetiba-Rio de Janeiro/RJ



Horário:17h:00



Celebrante:Revmo.Monsenhor José de Matos



Contato:(21)3317-0056

Capela São José

Nova Iguaçu/RJ



Capela de São José

Endereço:Rua dos Teixeiras,s/n-Caiçara-Nova Iguaçu/RJ

Horário:7h:00

Celebrante:Revmo.Pe.José Edilson de Lima

Contato:3046-1616


Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e São Judas Tadeu


Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e S .Judas Tadeu


Endereço:Rua Taubaté,12-Rodilândia-Nova Iguaçu/RJ

Horário:9h:30

Celebrante:Revmo.Pe.José Edilson de Lima

Contato:3046-1616

Paroquia dos Sagrados Corações

Niteroi/RJ

Paroquia dos Sagrados Corações

Endereço:Vila Pereira Carneiro - Ponta d'Areia (Próximo ao Mercado dos peixes)
Horário:10h:00

Celebrante:Revmo.Pe. Demétrio Gomes
Contato: (21) 8556-7100  (21) 2610-7819
http://juventutemniteroi.wordpress.com/




Igreja de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro


*Creditos:Patricia Rocha
Volta Redonda/RJ
Igreja de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro


Endereço:Rua Miguel Couto-Jardim Amália-Volta Redonda/RJ



Horário:19:00


Celebrante:Revmo.Pe.José Edilson de Lima










quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Santa Missa na História e na Mística - Paramentando-se.





PARAMENTANDO-SE

1.       O amicto.
2.       A alva.
3.       O cíngulo.
4.       O manípulo;
5.       A estola.
6.       A casula.
7.       A dalmática.

O sacerdote é no altar o substituto e representante de Jesus Cristo. Para apresentar-se dignamente diante de Deus Pai, e da Corte Celeste, deve trazer na alma o ornamento das virtudes daquele que representa.
O sacerdote deverá apresentar-se diante do Pai celeste como um outro Jacó diante de Isaac, vestido das vestes de Esaú, o primogênito. Exultará Deus por aquela fragrância que se desprenderá do coração de seu Filho primogênito e unigênito, oculta debaixo das vestes desde sacerdote. Manda a Igreja, qual outra Rebeca, vestir o sacerdote de vestes não suas, como para atrair sobre si, por esta piedosa fraude, a complacência divina, e tornar o sacrifício incruento da santa Missa aceito a Deus Pai.
Quão pequeno e ao mesmo tempo quão grande é o sacerdote; nada em si, tudo em Jesus! Nisto pensando, vai se paramentando; e a cada paramento que enverga novas ideias lhe ocorrem. Ouçamo-lo!

1.       O amicto.

A primeira peça, que o sacerdote veste, é o amicto. Beija-o; lança-o sobre aos ombros, descansa-o por um momento na cabeça; fixa-o em volta do pescoço; deixa-lhe as extremidades caírem pelas espáduas, e segura-as em seguida com duas longas fitas, em volta dos rins, enquanto diz: “Ponde-me na cabeça, Senhor, o elmo da salvação para que repila os assaltos do demônio”.

*  *  *

O amicto é de origem muito antiga, comum aos clérigos e leigos. Estes, porém, o abandonaram, e Roma o adotou. Era então o amicto desdobrado não pr baixo, mas por cima da alva, como peça litúrgica, e prescreve seu uso a partir do século XI. Ainda o prescreve o rito ambrosiano.
Cinge-se com o amicto o pescoço, para significar segundo Amalário, a moderação que se deve ter no uso da voz, visto que esta se localiza na garganta: “Collum undique cingimos, quia vox in collo est”. Esta é de fato a idéia que expressa ainda hoje o bispo, quando, na ordenação do subdiácono, diz, impondo-lhe o amicto: “Recebe o amicto, símbolo da moderação na voz”.
Se perguntarmos por que descansa o amicto por um momento na cabeça, respondemos que foi uso já antes do século XI cobrir primeiro a cabeça, da qual se tirava só depois de se tem envergado todos os mais paramentos, que o amicto deveria cobrir. Posto que fosse isto de direito exclusivo dos papas a partir do século XII até XVI, estava em uso também entre os simples sacerdotes de alguns lugares, que se cobriam cm ele a cabeça durante certa parte da Missa. Deste uso originou-se o sentido místico dado ao amicto. Chamaram-no de – “galea salutis” – elmo da salvação.
Belo sentido místico tem ele! Bem necessário é ao sacerdote este elmo da salvação. Agarre-se ele a este símbolo da verdadeira esperança cristã!
Elmo de aço, capacete inamolgável, quanto és necessário ao ministro e batalhador da causa de Deus! É justamente contra o sacerdote que o demônio arma e assesta de preferência sua formidável bateria para arrancar-lhe da alma a paz, e do coração a coragem. Protege-o, ó – “galea salutis”.

2.       A alva.

Vestido o amicto, enverga a alva, veste talar qual fora prescrita por Deus aos sacerdotes descendentes de Aarão. É geralmente tecida de linho. Comforma-se assim melhor com as vestes que São João viu em sua visão e descreve: “E foi-lhe dado vestir-se de finíssimo linho, resplandecente e branco” (Apoc 19, 8). A alva representa, no seu lavor como na sua brancura, a justiça e a inocência conquistadas mediante as tribulações padecidas em união com Cristo: “E este linho fino são as virtudes dos Santos” (Apoc 19, 8). “Esses lavaram seus vestidos e os embranqueceram no sangue do Cordeiro” (Apoc 7, 14).
Os ministros da Igreja primitiva andavam sempre vestidos com essa alva, também fora das funções litúrgicas. Os neófitos e os néo-batizados vestiam-se na oitava da pascoela e a depunham no sábado seguinte, que por isso chamava “in albis”, donde vem o nome da veste: “alva”.

*  *  *

Veste veneranda, o sacerdote te compreende! É com júbilo que reza, vestindo-te: “Lavai-me, Senhor, e purificai-me o coração, para que, lavado no sangue do Cordeiro, mereça o gozo das eternas alegrias”.
É o emblema da inocência; símbolo do homem vencedor das paixões desregradas, digno, em sua inocência, que se apresente ante a pureza infinita!
Diz o Senhor: “Quem for vencedor, será vestido de alvas vestes; não serei eu quem lhe apagará o nome do Livro da vida; confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante de seus anjos”.

*  *  *

3. O cíngulo.

Pega depois o cíngulo, corda de certo comprimento que serve para estreitar a alva em volta dos flancos assim que a sua amplitude não impeça no desempenho das suas funções religiosas.
O cíngulo é de origem muito antiga, e com ele cingiam, então, todos os que gozavam ou queriam gozar do bom nome e da boa reputação, pois simbolizava o recato, a continência, a probidade; é por isso prescrito já no primeiro “Ordo Romanus’, como peça que deve fazer parte das vestes eclesiásticas.
E cingindo-se os rins com este cíngulo, reza: “Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui em mim as chamas da volúpia, para que reine em mim a virtude da continência e da castidade”.
Cíngulo, cinge os rins dos sacerdotes, para que tenham sempre presente a necessidade da mortificação, que lhes assegura e garante a inocência da vida! Sem se mortificar não são e não podem ser Ministros do Crucificado, porque quem quer ser de Cristo crucifica a carne com seus vícios e concupiscências.

3.       O manípulo.

 Enfia, ao depois, no braço esquerdo o manípulo. Sua origem, além de remotíssima, é interessante. Usavam-no os Cônsules Romanos por ocasião da inauguração dos jogos no circo. Depois que o cristianismo entrou em Roma, e criou nela raízes, as estátuas e monumentos cristãos, que simbolizavam o Salvador e a Santíssima Virgem, eram distinguidas das mais pelo manípulo. Logo vê-se nele um sinal de respeito todo peculiar prestado a Jesus e a Maria.
As personagens distintas, em ocasiões de darem ou receberem presentes, levavam o manípulo ricamente trabalhado. As estátuas ou imagens destas personagens são representadas com o manípulo sobre o braço esquerdo. No primeiro “Ordo Romanus”, é prescrito como insígnia de autoridade: tem-no o subdiácono desdobrado sobre o braço direito na ocasião de dirigir a “Schola Cantorum”.
De Moléon (1718) aventou a ideia de que i manípulo teria servido de lenço para enxugar o suor: daí o nome “sudarium”. Dele se serviam os rapazes que, na abadia de Cluni, cantavam no coro; como também durante o mesmo ofício, dele usavam os rapazes de São João de Lyon. Estes seguravam-no entre os dedos da mão esquerda.
Isto parece sugerir a ideia de que a finalidade do manípulo fora sempre qual é hoje a dos lenços. Mas, por serem estes casos esporádicos, parece ser mais aceitável a ideias dos manípulos, em sua origem, eram verdadeiros distintivos de nobreza e autoridade, sendo que consta, com toda a certeza, que eram levados pelos clérigos “in sacris”, e só durante a Missa, desde o século X.
Entretanto, assim uma como outra ideia pode ser interpretada pela oração que a Igreja põe na boca do sacerdote ao introduzir-lhe no braço o manípulo: “Possa eu tornar-me digno, Senhor, de carregar o manípulo das lágrimas e da dor, para que receba na glória o prêmio dde minhas fadigas”.

*  *  *

Manípulo, em ti vêem os sacerdotes um símbolo do zelo que os deve assinalar. Relembras-lhe, sempre que se encaminham ao altar, a resolução tomada no dia de sua ordenação, a de se entregarem e imolarem em prol das almas! Relembra-lhes a autoridade e o poder, que lhes foram conferidos, i. é, de renovar o sacrifício do Calvário. Este reclama deles, todas as manhãs, a abnegação do zelo sacerdotal.
5.  A Estola.
Depois do manípulo vem a vez da de pendurar ao pescoço, peito abaixo, e cruzar sobre o mesmo a estola. Interessante a sua origem! As pessoas de posição e abastadas usavam originariamente um rico tecido de linho pendente do pescoço para com ele enxugar o rosto. Deste pano, chamado orarium (do latim, os= boca, rosto), usavam mais tarde os que falavam em público; por isso tornou-se ele, aos poucos, nas igrejas, o ornamento dos bispos, dos padres e dos diáconos; daí quererem alguns derivar a origem do “orarium”, de “orator” = pregador; daí o costume de subirem ainda hoje, os pregadores ao púlpito com a estola.
É certo que primitivamente caía a estola direito por trás e pela frente. Passou-se depois a cruzá-la sobre o peito e até a firmá-la cruzada debaixo do braço direito.
A Igreja conserva ainda hoje três modos de levar a estola. O bispo observa primeiro, o sacerdote o segundo e o diácono o terceiro.

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Pelo que representas e simbolizas, ó estola, te vestem os sacerdotes com amor, enquanto formulam a súplica: “Restituí-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi com a prevaricação do primeiro pai; e, posto que indigno de me aproximar do vosso santo ministério, mereça gozar das eternas delícias”. És o símbolo da imortalidade! Recordas a glória e a sublimidade dos Mistérios sagrados e divinos que transportam os sacerdotes à glória da majestade de Deus, que os levam ao Sacerdote Eterno, Jesus Cristo!
Mantém-nos, estola, durante o tempo da celebração, nestas alturas, sem o que, não poderemos participar condignamente do sacrifício eterno, do único e imortal Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedec!

6.  A Casula.

Vem a vez de envergar a casula (casa pequena, chamada pelos gregos de “planeta”) peça não fixa, mas móvel. A casula primitiva assemelhava-se bastante a uma pequena casa, em que parecia estar encerrado o sacerdote. A sua forma redonda permitia o giro fácil em redor do pescoço.
É a antiga “paenula” derivado de “pannus”, vestimenta de uso universal, vestida em toda parte e por todos.
Pelo fim do século IV tornou-se mais o hábito próprio e cotidiano dos senadores; e aos poucos passou a ser veste exclusiva dos sacerdotes ou ministros do culto divino.
Santo Ambrósio é representado em um mosaico do século V vestido da “paenula”, mosaico que se encontra na capela de São Sátiro em Milão.
Para ter livres as mãos, o sacerdote recolhia a casula dos braços aos ombros; na elevação o diácono soerguia-a por detrás, para que o celebrante fosse mais desimpedido em seus movimentos, ato este, ainda hoje em uso, posto que de nenhuma finalidade prática.
Desde o século XV foi-se-lhe cortando parte do que cobria os braços, assim que veio tomando imperceptivelmente a forma atual, que muito pouco se assemelha àquela primitiva. Só a “gótica” relembra mais de perto o que fora a casula primitiva.
Os diáconos e subdiáconos, hoje como então, só podem envergar a casula em determinadas missas, por exemplo, nas do advento e a quaresma.
Como outrora, os diáconos e subdiáconos, quando em serviços mais direto entre o povo, assim hoje o padre que quer, tira a casula quando prega, para que, segundo o dito antigo: “succintus et expeditus sine multa veste”, possa fazer seus movimentos.
Seja dito de passagem que também os acólitos vestiam antigamente a casula. Com estes conhecimentos, os sacerdotes compreendiam melhor a significação da prece que a Igreja aconselha rezar, enquanto envergam a casula: “Senhor, Vós que dissestes: - O meu jugo é suave e o meu fardo leve, - fazei com que eu possa carregar a fim de obter a vossa graça!”

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Casula, os sacerdotes te invocam como o símbolo de caridade, emblema de amor de Deus e do próximo! Imolando eles a Vítima divina, esforçar-se-ão no futuro, mais do que no passado, por tornarem-se santos, a fim de tornar santos os outros.
A santidade é o fruto da caridade; mas a caridade é cumprimento dos preceitos divinos; e estes são o jugo e o fardo que se propõem carregar, quando envergam a casula!
Paramentam-se agora o diácono, o subdiácono e os acólitos.
O diácono e o subdiácono são ministros, servos, ajudantes que servem o sacerdote no altar.
O diaconato e o subdiaconato são as duas Ordens chamadas Maiores para se distinguirem das Menores, que são os ostiariato, leitorato, exorcistato e acolitato.
O diaconato foi considerado desde o princípio como ordem maior, não assim o subdiaconato, que recebeu foros de ordem maior só no século XIII, debaixo do imortal Inocêncio III. São, porém, ambas, ordens muito antigas; delas falam os Padres e lhes exalçam a dignidade, sem todavia especificá-las pelo seu valor intrínseco.
O ofício próprio do diácono é cantar o santo Evangelho e servir o sacerdote no altar. Antigamente, quando os sacerdotes eram pouco numerosos, incumbiam-se os diáconos de outras funções mais importantes, hoje reservados ao sacerdote: eles batizavam, distribuíam a santa comunhão, o que se lhes concede ainda hoje em certos casos raros.
O subdiácono canta a Epístola e serve diretamente ao diácono, indiretamente ao sacerdote, no que se refere ao santo Sacrifício. São estes dois ministros do Sacerdote, em virtude do seu ofício, revestidos de dignidade extraordinária. É a eles que se permite chegar mais perto do Santo dos Santos; são os que representam no altar os fiéis e respondem em nome deles.

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Como disse, paramentam-se: o diácono leva manípulo, mas só durante a santa Missa e no ofício da sexta-feira santa e sábado santo; põe estola, que, ao invés do sacerdote, cruza, não sobre o peito, mas sob o braço direito. Em vez de casula enverga dalmática. Dos mesmos paramentos, menos a estola, se veste o subdiácono.

7. A dalmática.

A dalmática é, com poucas variantes, a tunicela dos antigos romanos, veste comprida, de mangas, antes estreitas que largas, que se sobrepunha à alva; mas não logrou generalizar-se na liturgia.
A dalmática, originária da Dalmácia (donde lhe vem o nome) entrou em uso litúrgico já no  século II do cristianismo. Era mais comprida que a tunicela e muito ampla. As mangas mais largas, porém fechadas, como as da tunicela. Mais tarde se abriram as mangas da dalmática e da tunicela. Eram mangas curtas; pois não ultrapassavam os cotovelos.
Vestia-se então a dalmática por sobre a tunicela, como hoje ainda o faz o bispo ao celebrar pontificalmente. Até os imperadores envergavam este hábito. Como paramento sagrado, a dalmática foi primeiramente reservada aos Bispos. São Silvestre, no século IV, a concedeu também aos diáconos; e não tardou que se tornasse paramento exclusivo deles. Chama-se na liturgia a veste da justiça – “dalmática justitiae”.

8.       A sobrepeliz.

Estes rapazes, vestidos de batina e sobrepeliz, são os ajudantes da Missa ou acólitos. A dignidade e a honra destes se colhem do ofício que exercem.
Os acólitos são anjos, se o sacerdote é Cristo. Devem servir ao celebrante, como os anjos servem a Deus.
Os acólitos são indispensáveis na celebração da santa Missa. O sacerdote que celebre sem ajudante, fora do caso de séria necessidade, peca gravemente.

9.       A capa de asperges.

O acólito deverá ser clérigo. Em sua origem o acolitante era o diácono. Só por falta de diáconos é que passou a qualquer clérigo este ofício e na falta deste a qualquer leigo.
Está claro que só uma pessoa do sexo masculino é permitido ajudar o celebrante no altar.
Uma senhora, em caso de urgente necessidade, poderá, quando muito, responder a celebrante as orações, mas atrás da mesa da comunhão; não lhe sendo nunca permitido servir ao celebrante no altar. É prescrito um acólito nas missas simples, dois nas solenes.
Homens de pouca fé são os que se negam a ajudar à santa Missa.

10.   O barrete.

O barrete estava em uso já no século XII; sua forma atual é do século XVI.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O MISTERIO DA ENCARNAÇÃO - CICLO DO NATAL

Aos seguidores: extraímos o presente texto da Edição típica do Missal de 1962, afim de fornecer uma base aos leitores que seguem a Forma Extraordinária da Santa Missa e consequentemente seu calendário litúrgico.


O MISTERIO DA ENCARNAÇÃO
CICLO DO NATAL



I) Tempo do Advento (IºDomingo do Advento- 24 de Dezembro)
2) Tempo do Natal (24 de Dezembro - 13 de Janeiro)
3) Tempo depois da Epifania (14 de Janeiro- Dom. da Septuagésima)



 TEMPO DEPOIS DA EPIFANIA 
 (Desde o dia 14 de Janeiro até o Domingo da Septuagésima) 



I. Exposição dogmática

O Ciclo do Natal é uma espécie de drama em atos, com o fim explícito de demonstrar de três maneiras distintas a encarnação do Verbo e a santificação do homem.
O primeiro ato, que decorre nas quatro semanas do Advento, revela-nos por meio de figuras e de alusões proféticas um Deus que se faz homem, e procura preparar-nos para tomar parte nesse grande mistério.

O segundo, que abrange com o Natal todos os mistérios da Infância do Salvador, faz-nos ver com os nossos olhos e tocar com as nossas mãos o Verbo da vida que estava no seio do Pai e nos apareceu para nos dar o poder de nos encontrarmos em comunhão com o Pai e com o Filho, Jesus Cristo.
O terceiro, que se desenrola no Tempo depois da Epifania e que é o prolongamento do Tempo do Natal, continua a demonstrar e a proclamar a divindade de Cristo. já não são os Anjos do “Glória in excélsis”, nem a estrela dos Magos, nem a voz do Pai e a aparição do Espírito Santo, mas é o próprio Jesus Cristo que fala e opera como Deus. Há de exigir de nós como veremos no ciclo da Páscoa, adesão incondicional do coração e de espírito à doutrina que nos vai anunciar; e para que seja legítima essa exigência e razoável a nossa adesão, quere fazê-Ia preceder de atos e palavras que revelem a sua autoridade divina. Com efeito os Evangelhos do 2°, 3° e 4° domingo. são extratos da série de milagres que S. Mateus nos relata e os do 5° e 6° das parábolas que o mesmo Evangelista refere em abono e prova da divindade messiânica de Jesus. Jesus impera à doença, ao mar, aos ventos; muda a água em vinho, faz prodígios de cura ao longe ou com um simples gesto. É verdadeiramente Deus e atua com modos e poderes que só a Deus convêm. Este período litúrgico, como de resto todo o ciclo do Natal, é, pois, como fica demonstrado, o tempo da Epifania, quer dizer, da manifestação da divindade de Cristo.
As palavras do Senhor são a expressão direta e sensível do pensamento de Deus. O que digo, digo-o como o disse meu Pai. E quem recebe com negligência a palavra do Senhor não é menos culpado que aquele que deixasse cair no chão as sagradas espécies. (S. Cesário de Arles).
O que S. Paulo afirmou da Eucaristia: « O que comer o Corpo do Senhor indignamente come a sua própria condenação " di-lo Jesus da sua palavra sagrada: “Quem não receber a minha palavra, a mesma palavra que anuncio o julgará no último dia”.
Mas Jesus não disse apenas a “verdade”; Jesus, conforme Ele mesmo afirma numa fórmula divinamente concisa, “fez a verdade”. Igual ao Pai por natureza, possuía a doutrina e a virtude do Pai. O Filho não pode fazer nada de si mesmo, mas só o que vir fazer ao Pai, porque tudo o que o Pai faz, fá-lo também o Filho '. E por isso as suas obras e palavras dão prova da sua divindade. As obras que faço em nome do Pai dão testemunho de mim a, Ninguém saberia falar e agir como Jesus, se não fosse Deus.
É o Senhor que o diz : “Se eu não tivesse vindo, nem lhes tivesse falado, não teriam culpa; agora não têm escusa possível; se eu não tivera praticado entre eles obras como nenhum outro praticou, estariam sem pecado; assim não têm escusa do pecado”.
Estas duas frases resumem relativamente a Jesus todo o tempo da Epifania.

E pelo que nos diz respeito é nas epístolas, extraídas do texto da de S. Paulo aos Romanos, que devemos procurar o espírito que informa o pensamento da Igreja nesta época. Deus fiel à promessa não somente convida os Judeus a entrar no reino que o seu Filho governa, mas cheio de misericórdia chama igualmente os Gentios que venham tomar parte neste grande império e que tornando-se nele membros de Jesus Cristo, se amem todos como irmãos. 

 
  2. Exposição histórica

No tempo de Nosso Senhor a Palestina andava dividida em quatro províncias. A oriente do Jordão ficava a Pereia; para ocidente, no sul,
a Judéia; no centro estendia-se a Samaria, e para norte a Galileia. Foi na última que se passaram os acontecimentos que constituem a trama da narrativa evangélica dos domingos da Epifania. Em Caná fez o Senhor o primeiro milagre (2° Domingo). Em Nazaré, na Sinagoga, pregou aquela doutrina que deslumbrava a todos que o ouviam. (Comunhão do 4°, 5° e 6° domingos). Foi ainda na Galileia que o Senhor curou o leproso. (Ev, do 3° domingo). Mas foi sobretudo em Cafarnaum, que fica a um dia de caminho de Nazaré, que Jesus pregou e mais prodígios fez. A seguir ao Sermão da montanha, que a tradição nos aponta como sendo a nordeste de Tiberíades, desceu Jesus à cidade e curou o servo do Centurião (Ev. 4° do 4° domingo). De cima de um barco, à margem do lago que tira o nome de Genesaré, “vale de flores” da larga faixa florida que lhe bordeja as praias pregou Jesus a parábola do semeador (Ev. do 5° domingo). As parábolas de que nos fala o Evangelho do 6° domingo foram pronunciadas mais tarde. Foi depois dum dia de esgotante pregação que o Senhor resolveu passar pela tarde à outra banda do lago, à pequena cidade de Gerza, que ficava na Pereia. O mar de Tiberlades formado pelas águas do Jordâo está sujeito a tempestades frequentes. Foi na passagem que o Senhor serenou as águas revoltas e mostrou mais uma vez aos Apóstolos que era o Filho de Deus.

 

 3. Exposição litúrgica

O Tempo depois da Epifania começa no dia seguinte à oitava de festa e vai, para o Temporal, até à Septuagésima, e para o antoral até à festa da Purificação (2 de Fevereiro).
Enquanto as festas do Natal e da Epifania, que têm dia marcado, dão a este ciclo um carácter de fixidez, o Ciclo da Páscoa, essencialmente tributário da lua pascal, é necessariamente móvel. E é assim que se a Páscoa vier mais cedo (oscila entre 22 de Março e 25 de Abril) O domingo da Septuagésirna, que é o nono antes da Páscoa, recua sobre o tempo da Epifania, reduzindo a um ou dois por vezes os domingos deste tempo. A cor dos paramentos é a verde. É a cor da esperança, da esperança duma colheita abundante, pois o Apóstolo diz que aquele que ara a geira, o faz com a doce esperança dos frutos que hão de vir. E neste tempo, com efeito, o campo da Igreja, semeado com a doutrina e as obras do Senhor, desabrocha na promessa verdejante dos frutos que virão, a seu tempo, lustrar de ouro as courelas. Sendo o eco ainda e o prolongamento do tempo do Natal, este Tempo caracteriza-se de maneira muito particular por uma santa alegria que nos instila na alma a consoladora certeza de termos a proteção dum Deus que é poderoso em palavras e obras.


*Fonte: Missal Cotidiano e Vesperal por DomGaspar Lefebvre, 1962




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Trecho da homilia do Reverendíssimo Padre José Edílson sobre o uso da Internet nos meios tradicionais.




Trecho da homilia do Reverendíssimo Padre José Edílson, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Nova Iguaçu-RJ em 22/01/2012 (com revisão do autor)

“(...) agora temos que ter muito cuidado, cuidado porque isso pode nos levar a uma certa vaidade, sobretudo agora que a missa tradicional está autorizada e permitida pro mundo inteiro, e o primeiro cuidado é o de nós acharmos que somos melhores do que os outros, quanto mais se dá mais será cobrado, nós temos a grande graça de termos a missa na Forma Extraordinária, na forma Tradicional, mas isto não faz com que sejamos melhores que os outros, mas nos faz que tenhamos mais responsabilidade, de sermos mais fiéis a Deus por essa graça, por isso, não se deve considerar o católico dito “progressista” gente de segunda classe...

Um segundo cuidado é o de nos considerarmos tão católicos quanto todos os que são batizados e que estão na comunhão da Igreja, nós não somos mais católicos porque temos a missa tradicional, a missa na forma de Paulo VI, desde que celebrada corretamente, conforme está no missal e nas rubricas, é missa católica, é a missa da Igreja, é válida e é o Sacrifício que se renova no altar... com suas lacunas, que o Papa quer com a graça de Deus ir acertando, ir preenchendo, mas é a missa católica. Se temos essa graça (a Missa na Forma Extraordinária) aproveitemos desse tesouro, nós não vamos menosprezar quem ainda não tem, ou quem adere a missa na forma de Paulo VI, na forma nova...

Um outro perigo que se corre é, usar da Missa na forma tradicional como um meio de contestar a autoridade da Igreja, e isso a gente vê em muitos grupos ditos tradicionalistas e que ficam procurando qualquer frase, qualquer atitude seja de um bispo ou de um padre, ou até do Papa para criticar, e criticam até o próprio magistério do Papa, julgam-se superiores ao Papa na hora de lerem os documentos que são emitidos em Roma, e dizem “isso porque nós somos da missa de São Pio V...”

Quem te deu autoridade pra julgar a Sé de Pedro?

Só Jesus Cristo tem!

Isto é um principio básico e tradicional, e se dizem tradicionalistas... ou seja, eles querem julgar o próprio Papa. Na verdade a Sé de Pedro não pode ser julgada por ninguém, isso é tradicionalíssimo, esse principio está no Direito Canônico e tem toda a história da Igreja por trás... então chega um documento da Santa Sé, já começam a dizer , o Papa aprovou tal coisa, o Papa fez tal coisa... Então espere aí, você está usando a Missa na forma Tradicional como meio de contestar a autoridade e isso não é católico, isso é espírito de seita, isso é o espírito que Lutero tinha, de querer uma igreja de Cristo irreal, invisível, que apenas está nos corações de cada um...

E hoje com a internet usam isso pra espalhar e mover muita gente contra a Igreja, e é por causa desse espírito malévolo e anticatólico que fazem críticas à Administração Apostólica, a Dom Fernando Rifan, e nós padres da Administração Apostólica que temos apenas um objetivo, que é a salvação das almas, e quem convive conosco e vocês convivem conosco já há muitos anos, vocês vêem o cuidado, vêem a preocupação, embora com as nossas limitações e falhas, que não são poucas, mas o cuidado com a salvação das almas...

Porque é para isso que existe a Igreja: para salvar as almas... foi para isso que o Papa criou a Administração Apostólica...

Começa com isto: “ A salvação das almas, aliás, "Animarum bonum" "O bem das almas" é o objetivo da Igreja, a salvação das almas, de modo que esses grupos que fazem essas críticas estão preocupados em se auto promoverem, muitas vezes escondidos no anonimato, escondidos atrás de uma tela de computador, por que não dão as caras, não aparecem frente a frente conosco para discutir? Porque o que querem é ficar atrás de um computador digitando e atacando, sujando, manchando os nomes dos nossos padres e do nosso Bispo... porque simplesmente se acham superiores a própria Igreja, na realidade...

E não estão preocupados com a salvação nem da própria alma... nem da própria alma.

Agora, a Administração Apostólica foi criada justamente com esse objetivo...

Vamos agradecer a Deus por isso, o que nos leva a uma grande responsabilidade, como disse, vamos procurar ser fiéis à Santa Igreja, fiéis a essa graça que Deus nos concede.

Vamos ser fiéis, vamos procurar participar melhor da Santa Missa, convidar mais e mais pessoas para usufruírem dessa grande graça que nós temos aqui, seja aqui em Nova Iguaçu, seja em Volta Redonda, lá na antiga Sé, no Rio, enfim, onde nós estamos espalhados.

Agora, graças a Deus é um desejo do Papa que quer seja no mundo inteiro. Então, sendo fiéis ao Papa, fiéis ao Magistério da Igreja, fiéis à Missa na forma Tradicional, nós vamos seguindo até o dia que Nosso Senhor nos chamar, para a eternidade.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

+Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.”